Guia da Escolha

Nobreak e estabilizador: por que VA não é watt

Nobreak é vendido por um número em VA, e esse número não é a potência que o aparelho entrega. A potência real vem em watts, e a conversão muda de modelo para modelo: na tabela de um fabricante, 1.200 VA são 600 W, 1.500 VA são 750 W e — o caso que mais engana — existe um 600 VA que entrega 180 W. No estabilizador a história é outra: a ficha de um modelo de 300 VA diz literalmente “300 VA ou W”, porque ali os dois números coincidem. Para completar, o datasheet do nobreak semissenoidal mais comum avisa que ele não deve alimentar computador com fonte PFC nem impressora a laser — e é justamente o que muita gente liga nele. Este guia mostra como fazer a conversão, como dimensionar pela regra do próprio fabricante e onde a certificação do Inmetro entra (e onde não entra). Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.

Referência atualizada em 12/09/2026. Este guia citava a Portaria Inmetro nº 371/2009. Conferimos na pesquisa de legislação do Inmetro e esse ato está revogado: a referência em vigor é Portaria Inmetro nº 148, de 28 de março de 2022 (Inmetro/ME), cujo texto traz a cláusula que revoga o ato citado. O regime não mudou — lemos o regulamento novo por inteiro antes de trocar o número, e a conclusão deste guia continua valendo. Trocamos a referência porque regulamento revogado não serve de fonte, mesmo quando a regra que ele criou continua de pé.

Antes de escolher

  • VA não é watt: a divisão que resolve a categoria. O número do nome é potência aparente, em VA. O que alimenta seus aparelhos é a potência real, em watts. A relação entre as duas é o fator de potência (FP), e o fabricante ensina a achá-lo: “para descobrir o FP de seu nobreak, divida a potência nominal de pico em W pela potência nominal de pico em VA”. Na tabela de uma linha inteira, o FP declarado é 0,5 — 600 VA/300 W, 700 VA/350 W, 1.200 VA/600 W, 1.500 VA/750 W. Numa linha voltada a câmeras, o FP cai para 0,3: 600 VA entregam 180 W. E num modelo senoidal maior ele sobe para 0,7: 1.800 VA entregam 1.260 W. Conclusão prática: dois aparelhos de mesmo VA podem ter potência real quase duas vezes diferente. Compare sempre pelo watt, nunca pelo VA do nome.
  • A regra de dimensionamento é do fabricante — e é 3x. Esta é a instrução mais útil da categoria e ela não está na página de venda de nenhum modelo; está no guia de linha do fabricante, verbatim: “calcule a potência (W) total dos equipamentos que serão conectados ao nobreak. Então, escolha um nobreak com pelo menos 3x esse valor. Exemplo: se sua carga totaliza 100 W, o nobreak deve ter, no mínimo, 300 W”. Some as etiquetas do que vai ficar ligado — computador, monitor, roteador, modem da operadora — e multiplique por três. Repare no efeito combinado com o critério anterior: uma carga de 200 W pede 600 W reais, que num aparelho de FP 0,5 significa buscar um 1.200 VA na etiqueta. É por isso que tanta gente compra um 600 VA achando que resolveu e descobre que não resolveu.
  • Forma de onda: semissenoidal ou senoidal (e o aviso que muda tudo). No modo bateria, o nobreak recria a energia, e nem todos recriam do mesmo jeito. O modelo interativo comum entrega, textualmente, “semissenoidal (retangular)”; o modelo senoidal entrega onda senoidal. A diferença não é preciosismo: o datasheet do modelo semissenoidal traz o aviso literal de que “o nobreak não deve ser utilizado para alimentar computadores dotados de fontes com função PFC”, e o guia do fabricante reforça — “se seu equipamento possui fonte PFC ativo, escolha sempre o nobreak senoidal”. Como fontes com PFC são a regra em computador moderno, PC gamer e console, esse é o ponto em que economizar sai caro. Se o que você quer proteger é roteador, câmera, PDV ou TV, o semissenoidal é o indicado pelo próprio fabricante.
  • O que o fabricante proíbe ligar — leia antes, não depois. O mesmo aviso de datasheet lista o que fica de fora, e a lista surpreende: o aparelho “não deve ser utilizado para alimentar computadores dotados de fontes com função PFC, equipamentos de sustentação à vida ou movidos a motor, como ventiladores, geladeiras, liquidificadores, micro-ondas, impressoras a laser, entre outros”. Três leituras práticas. Primeira: eletrodoméstico com motor não entra — geladeira em nobreak doméstico é erro comum e caro. Segunda: impressora a laser não entra, o que vale lembrar para quem acabou de montar o home office. Terceira, e séria: equipamento de sustentação à vida não é assunto deste guia nem desta categoria de produto — quem precisa de energia para equipamento médico deve tratar disso com o fornecedor do equipamento e com um profissional, não com uma lista de compras.
  • Autonomia não é especificação — é conta. Procure “autonomia em minutos” na ficha e você não vai achar, e há um bom motivo: o tempo depende do quanto você liga. O próprio fabricante, em vez de declarar um número, remete a uma calculadora de autonomia em que você informa a carga. O que a ficha declara é o que dá para comparar: o tipo e o tamanho da bateria interna — vimos 1 × 12 V 7 Ah nos menores, 2 × 12 V 7 Ah nos médios e 2 × 12 V 9 Ah num maior, todas “selada chumbo-ácido (VRLA)” — e o tempo de recarga, declarado em “até 10 h” num modelo. Regra de bolso honesta: nobreak doméstico é feito para salvar o trabalho e desligar direito, não para continuar trabalhando na queda de luz.
  • Expansão de bateria: quase sempre “Não”. Se o seu objetivo é autonomia longa — portão, câmera, um roteador que não pode cair —, confira uma coluna que a tabela do fabricante publica e o anúncio raramente mostra: expansão de autonomia. Na linha de entrada que consultamos, ela é “Não” em todos os modelos, e o campo “conector para bateria(s) externa(s)” do datasheet vem vazio. Só as linhas específicas de longa autonomia aceitam módulo externo, e elas declaram o barramento (12 V ou 24 V) e a bateria compatível. Comprar um modelo comum pensando em “depois eu ponho uma bateria maior” é um caminho fechado: ou o aparelho nasce expansível, ou não fica.
  • Tomadas, padrão e tempo de transferência. Três números pequenos que decidem o uso. As tomadas: os modelos declaram 4 ou 8 saídas no padrão NBR 14136, o plugue brasileiro de três pinos — conte quantos aparelhos você realmente vai ligar, porque adaptador e benjamim na saída do nobreak anulam parte da proteção. O tempo de transferência, que é quanto o aparelho leva para assumir quando a luz cai: uma ficha declara < 8 ms, rápido o bastante para computador e roteador não reiniciarem. E a faixa de entrada, que diz quanta variação ele corrige sem gastar bateria — um modelo declara 96 a 144 V (±20%). Confira também se é monovolt, bivolt automático ou bivolt selecionável: são coisas diferentes, e o fabricante as define separadamente.
  • Certificação: o estabilizador tem, o nobreak não. Investigamos a regulação antes de escrever, e o resultado é um degrau limpo. Na lista oficial de programas compulsórios do Inmetro consta a entrada “estabilizadores de tensão monofásicos, com saída de tensão alternada, com tensão nominal de até 250 V em potências de até 3kVA/3KW” — ou seja, praticamente todo estabilizador doméstico está dentro, e a certificação é condição de venda. Já nobreak, no-break, UPS ou fonte ininterrupta não aparecem nessa lista. O que isso significa na prática: ao comprar estabilizador, procure o selo de identificação da conformidade e desconfie de quem não tem; ao comprar nobreak, não espere o mesmo selo — o regulamento que poderia alcançá-lo exclui expressamente os equipamentos de informática, como detalhamos logo abaixo. Uma ficha de estabilizador que abrimos declara, nas palavras do fabricante, atender à “norma brasileira para estabilizadores de tensão NBR 14.373:2006” e passar por “avaliação permanente, realizado por organismos certificadores acreditados pelo INMETRO” — citamos como declaração dele, que é o que ela é.

    Precisão acrescentada em 12/09/2026: acima dissemos que o nobreak não aparece na lista de programas compulsórios, mas não nomeamos o regulamento que poderia alcançá-lo por outro caminho. Ele é a Portaria Inmetro nº 148, de 28 de março de 2022 (Inmetro/ME), de segurança de aparelhos eletrodomésticos e similares, que define o escopo pelas partes da série 60335-2-x listadas no item 2.1 — e não há parte dessa série para UPS ou fonte ininterrupta. O item 1.1 do mesmo regulamento ainda exclui expressamente os equipamentos de informática. Conferimos os dois caminhos, o do nome e o da norma, e o resultado é o mesmo.

Filtro de linha e protetor contra surtos — imagem ilustrativa

1. Filtro de linha e protetor contra surtos

para quem só quer mais tomadas e uma proteção básica contra picos

Se o que você quer é mais tomadas e alguma proteção contra pico, é este. Ele não segura queda de energia nem corrige tensão baixa — protege contra surto e organiza as tomadas, e para isso funciona. Na hora de escolher, conte as tomadas no padrão NBR 14136 e confira o espaçamento entre elas, porque fonte de notebook e carregador grande costumam ocupar duas. Procure a corrente declarada (10 A ou 20 A) e não ligue nele aparelho de motor ou resistência. Se o seu problema é a luz que pisca e derruba o computador, este não é o produto — é o próximo.

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Estabilizador de tensão — imagem ilustrativa

2. Estabilizador de tensão

para tensão que oscila — e o único desta lista com certificação compulsória

Corrige variações da rede e entrega tensão dentro de uma faixa, mas não tem bateria: se a luz acabar, o aparelho ligado nele desliga junto. Aqui o número é direto — a ficha de um modelo de 300 VA declara “300 VA ou W”, sem a conversão que atrapalha nos nobreaks —, e as saídas costumam ser 4 tomadas NBR 14136. Confira a tensão de entrada e de saída (bivolt automático 115/127/220 V com saída 115 V é comum, e é fácil errar) e as proteções declaradas contra sub e sobretensão. Este é o produto em que o selo do Inmetro é condição de venda, pela lista oficial de programas compulsórios — procure-o.

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Nobreak interativo semissenoidal de entrada — imagem ilustrativa

3. Nobreak interativo semissenoidal de entrada

para roteador, câmera, PDV e TV — não para computador com fonte PFC

É a faixa de 600 a 700 VA, que na conversão real vira 300 a 350 W (fator de potência 0,5 declarado). Traz 4 tomadas e 1 bateria de 12 V 7 Ah, e entrega onda “semissenoidal (retangular)” no modo bateria. O fabricante indica exatamente este modelo para eletrônicos simples: roteador e switch, sistema de CFTV, PDV, TV e monitor. E adverte no datasheet que ele não deve alimentar computador com fonte PFC, impressora a laser nem aparelho com motor. Dimensione pela regra do próprio fabricante: some os watts do que vai ligar e procure pelo menos três vezes esse valor.

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Nobreak interativo de 1.200 a 1.500 VA — imagem ilustrativa

4. Nobreak interativo de 1.200 a 1.500 VA

para a mesa inteira: mais tomadas e mais folga de potência

Mesma tecnologia do anterior, com mais fôlego: 1.200 VA são 600 W e 1.500 VA são 750 W na tabela do fabricante, com 8 tomadas NBR 14136 e 2 baterias de 12 V 7 Ah. Números que valem conferir na ficha: tempo de transferência (vimos < 8 ms), faixa de entrada (96 a 144 V, ±20% num modelo), recarga de até 10 h e o peso, que passa de 9 kg por causa das baterias — pense onde ele vai ficar. Continua valendo o veto do fabricante a fontes com PFC: se na mesa há um computador moderno, o card certo é o seguinte, não este.

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Nobreak senoidal — imagem ilustrativa

5. Nobreak senoidal

para computador com fonte PFC, PC gamer, console e equipamento sensível

É a resposta à advertência que aparece nos outros: entrega onda senoidal no modo bateria, e o fabricante é explícito — “se seu equipamento possui fonte PFC ativo, escolha sempre o nobreak senoidal”. Na tabela da linha senoidal, os pares são 700 VA/350 W, 1.000 VA/500 W e 1.800 VA/1.260 W — repare que o maior tem fator de potência 0,7, melhor aproveitamento que os 0,5 da linha comum. Custa mais, e é o caso em que o custo se justifica pelo que está ligado. Confira se o modelo aceita expansão de bateria e quantas tomadas oferece.

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Bateria selada de reposição e módulo de expansão — imagem ilustrativa

6. Bateria selada de reposição e módulo de expansão

porque a bateria é peça de consumo — e nem todo nobreak aceita módulo externo

A bateria é a parte do nobreak que se gasta, e trocá-la costuma custar uma fração do aparelho novo. Antes de comprar, confira na etiqueta ou na ficha três dados: o tipo (“selada chumbo-ácido (VRLA)” é o padrão), a tensão e a capacidade (12 V 7 Ah e 12 V 9 Ah são as mais comuns) e quantas o seu modelo usa — uma ou duas. Para autonomia longa, o caminho é outro: só serve quem tem conector para bateria externa, e a tabela do fabricante mostra “Não” nessa coluna na linha de entrada inteira. Confira o barramento declarado (12 V ou 24 V) antes de comprar qualquer módulo.

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Por onde começar

Faça primeiro a conta: some os watts das etiquetas do que vai ficar ligado e multiplique por três — é a regra do próprio fabricante. Depois converta: divida os watts do modelo pelo VA dele para ver o fator de potência antes de comparar preços. Só quer mais tomadas e proteção contra pico: filtro de linha. A tensão da sua rua oscila, mas falta luz é raro: estabilizador — e procure o selo do Inmetro, que aqui é condição de venda. Quer que roteador, câmera ou PDV não caiam: nobreak interativo de 600 a 700 VA. Quer salvar a mesa inteira: 1.200 a 1.500 VA. Tem computador moderno, PC gamer ou console (fonte com PFC): nobreak senoidal, sem exceção. O aparelho já tem alguns anos e não segura mais nada: é a bateria, não o nobreak. Está montando o home office: o roteador e o mesh e a impressora têm guias próprios — e vale lembrar que impressora a laser é justamente um dos itens que o fabricante manda não ligar no nobreak. O que evitar: comparar modelos pelo VA; ligar geladeira, micro-ondas ou aparelho com motor; usar semissenoidal com fonte PFC; contar com autonomia longa em modelo sem conector de bateria externa; e encher a saída de adaptadores.

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