Impressora é a categoria em que o preço da etiqueta explica menos da metade da conta. O que decide é o custo por página, e ele não aparece em lugar nenhum: nem na caixa, nem no anúncio, nem na ficha técnica. O curioso é que os dois números que formam esse custo estão publicados — só que em páginas diferentes, e ninguém faz a divisão para você. Nós fizemos, com dados dos próprios fabricantes consultados em setembro de 2026: um cartucho preto de rendimento declarado de ~120 páginas custando R$ 83,80 na loja oficial sai a cerca de R$ 0,70 por página; uma garrafa de tanque de 65 ml com 4.500 páginas declaradas custando R$ 59,90 sai a pouco mais de um centavo; e um toner de 1.000 páginas a R$ 309,00 na loja do fabricante sai a cerca de R$ 0,31. Este guia mostra como fazer essa conta com o modelo que você está olhando, o que o “rendimento declarado” realmente mede e quais tipos de impressora fazem sentido para cada rotina. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.
Antes de escolher
- O custo por página: a divisão que ninguém publica. É a conta inteira da categoria, e ela tem só dois números, os dois públicos: preço do consumível ÷ rendimento declarado. Faça com o modelo que você está olhando, porque a diferença entre tecnologias é de uma ordem de grandeza. Nos exemplos que abrimos: cartucho preto de entrada, ~120 páginas por R$ 83,80 na loja do fabricante — cerca de R$ 0,70 a página; garrafa de tanque de 65 ml com 4.500 páginas declaradas por R$ 59,90 — cerca de R$ 0,013; toner monocromático de 1.000 páginas por R$ 309,00 na loja oficial — cerca de R$ 0,31. Em 1.000 páginas por ano, isso é a diferença entre gastar cerca de R$ 700 e cerca de R$ 13 em tinta. É por isso que o aparelho mais barato da prateleira é, com frequência, o mais caro da casa — e a razão de a própria Epson comparar um kit de garrafas a “cerca de 35 kits de cartuchos”.
- Rendimento declarado é página de laboratório, não a sua página. Todo “até X páginas” da categoria vem de um ensaio padronizado, e os fabricantes dizem isso na nota de rodapé. A Epson declara que o rendimento se baseia “nas páginas de teste ISO/IEC 24712 utilizando a metodologia Epson” e avisa que “o rendimento real pode variar consideravelmente”. A HP informa que “os rendimentos e velocidades são baseados na norma da indústria (ISO/IEC 24711)”. A Brother usa a ISO/IEC 19752 para toner. O que isso significa na prática: o número foi medido imprimindo documentos de teste, em sequência, em condições controladas. Se o que você imprime é slide com fundo colorido, mapa, foto ou relatório com gráfico, você vai ficar bem abaixo do declarado — e isso não é defeito, é a diferença entre a página do ensaio e a sua. Use o número declarado para comparar modelos entre si, que é para isso que ele serve, e não como previsão de quanto vai durar.
- Quanto você imprime por mês — e há quanto tempo a impressora fica parada. Este é o critério que separa as tecnologias, e o fabricante fala dele abertamente. A Epson avisa que os rendimentos “podem ser menores ao imprimir com pouca frequência ou predominantemente com uma cor”. Ou seja: jato de tinta gosta de ser usado. Se a sua rotina é imprimir duas páginas por mês e passar semanas sem ligar o aparelho, a conta muda de figura — o laser, cujo consumível é pó e não líquido, lida melhor com longos períodos sem uso. Antes de escolher, estime honestamente: quantas páginas por mês, quanto disso é colorido e com que frequência você liga a impressora. Volume alto e colorido puxa para tanque de tinta; volume baixo, texto e uso espaçado puxa para laser monocromática; volume mínimo com orçamento mínimo é o único caso em que o cartucho se defende.
- Laser tem dois consumíveis, não um. É a pegadinha mais cara da categoria, e está publicada na ficha — só que em duas linhas diferentes. Além do toner, a impressora laser de entrada usa um cilindro (a unidade de imagem), que é peça separada, tem vida própria e precisa ser trocada. Na ficha que abrimos, o toner é declarado em até 1.000 páginas e o cilindro em até 10.000 páginas — com a observação do próprio fabricante de que “o rendimento do cilindro é aproximado e pode variar conforme o tipo de uso”. Traduzindo: a cada dez toners, mais ou menos, entra um cilindro na conta. Antes de comprar uma laser, procure os dois códigos (o do toner e o do cilindro), veja o preço dos dois e confirme se o modelo é de cilindro separado ou de cartucho integrado — isso muda completamente o custo de manutenção.
- O que vem na caixa costuma ser menor do que o que você vai comprar. Muita impressora sai de fábrica com consumível inicial, de rendimento menor que o de reposição. O exemplo que abrimos é explícito: a caixa traz “1-cartucho de toner (rende aprox. 700 páginas)”, enquanto o toner de reposição do mesmo modelo é declarado em até 1.000 páginas. São 30% a menos, e é por isso que a primeira reposição chega antes do esperado e dá a sensação de que a impressora “bebe” tinta. Nas de tanque acontece o contrário e a favor do comprador: o aparelho costuma vir com o jogo de garrafas completo, o que adia a primeira compra por bastante tempo. Procure na ficha, antes de fechar, o que exatamente acompanha o produto — e conte isso como parte do preço.
- A velocidade do anúncio é a do modo rascunho. Outro número com duas versões publicadas na mesma ficha. Um modelo popular de tanque declara 10 ppm em preto e 5 ppm em cores na medição ISO — e, logo abaixo, até 33 ppm em preto e 15 ppm em cores no modo rascunho. É o mesmo aparelho: a diferença é a qualidade da impressão que está sendo cronometrada. Uma laser de entrada comparável declara 20 ppm. Quando você vir uma velocidade alta em destaque no anúncio, procure ao lado a sigla ISO; se não houver, provavelmente é o rascunho. E lembre que velocidade só importa de verdade em volume: para imprimir três páginas, a diferença entre 10 e 20 ppm é de poucos segundos.
- Multifuncional, alimentador e frente-e-verso: o que muda no uso. Quase tudo hoje é multifuncional (imprime, digitaliza e copia), e isso costuma valer a pequena diferença de preço — digitalizar documento é a segunda tarefa mais comum da casa. Dois recursos separam os modelos e nem sempre aparecem em destaque: o alimentador automático de originais, que digitaliza uma pilha sem você trocar folha a folha, e a impressão frente e verso automática — sem ela, você imprime as ímpares, vira o maço e reza. Confira também a capacidade da bandeja, que numa laser de entrada é de 150 folhas, e a conectividade: os modelos atuais trazem USB, Wi-Fi e Wi-Fi Direct, esse último para imprimir do celular sem passar pelo roteador.
- Wi-Fi, selo da Anatel e o que dá para verificar. Como quase toda impressora doméstica hoje tem rádio Wi-Fi embutido, vale saber o que a regra brasileira diz — e onde ela para. A Anatel afirma, literalmente, que “não se permite o uso ou a comercialização de produtos para telecomunicações em território brasileiro sem homologação”, e a lista oficial de exemplos de avaliação de conformidade obrigatória cita “tablets, telefones celulares, drones, controles remotos e roteadores” — impressora não está nessa lista de exemplos, e nós não vamos afirmar mais do que a fonte diz. O que dá para verificar sem interpretar norma é objetivo: produto homologado “deve apresentar selo com a logomarca da Anatel e número de homologação”, e esse número é consultável nos sistemas da própria agência. Se o aparelho com Wi-Fi que você está olhando traz o selo e o número, está tudo certo; se você não acha o número em ficha, embalagem ou manual, essa é uma pergunta legítima para o vendedor antes de comprar.
1. Multifuncional tanque de tinta
para quem imprime com regularidade, em cores, e quer o menor custo por página
É a escolha padrão para casa com volume e o melhor custo por página da categoria. A conta que fizemos com dados de fabricante: garrafa de 65 ml com rendimento declarado de 4.500 páginas em preto, custando cerca de R$ 59,90 — algo em torno de um centavo por página. O aparelho custa mais caro na entrada e devolve a diferença rápido. Compare pelo rendimento declarado para o seu modelo (ele muda de modelo para modelo, mesmo com a mesma garrafa), pela presença de frente e verso automático e pelo alimentador de originais se você digitaliza pilha. Ponto de atenção do próprio fabricante: o rendimento cai com impressão pouco frequente, então esse formato pede uso regular.
2. Impressora tanque só de impressão, sem scanner
para quem já digitaliza pelo celular e quer o aparelho menor e mais barato
Mesma economia do tanque, sem a parte de cima. Faz sentido para quem só imprime — trabalho escolar, contrato, etiqueta, partitura — e resolve a digitalização com o aplicativo do próprio celular, que hoje corta e endireita a folha razoavelmente bem. As vantagens são tamanho menor, preço mais baixo que o da multifuncional equivalente e menos peça para dar problema. A conferir antes: a capacidade da bandeja, porque os modelos compactos costumam levar menos folhas, e a conectividade — procure Wi-Fi e Wi-Fi Direct, que é o que permite imprimir do telefone sem cabo. Se um dia precisar copiar um documento, vai sentir falta; pese isso antes.
3. Multifuncional a cartucho, de entrada
para quem imprime pouquíssimo e quer o menor investimento inicial possível
É o aparelho mais barato da prateleira e o mais caro por página — e comprar sabendo disso é a diferença entre um bom negócio e um arrependimento. Os números que abrimos na loja do fabricante: cartucho preto padrão de ~120 páginas por R$ 83,80, e a versão XL de até 480 páginas, que é sempre a compra mais sensata depois da primeira troca. Faz sentido em dois casos concretos: orçamento inicial curto, ou uso tão esporádico que o custo por página não chega a pesar. Se você escolher este caminho, já saia comprando cartucho XL e observe o aviso do fabricante de que o rendimento cai com uso pouco frequente.
4. Impressora laser monocromática compacta
para quem imprime texto, em lotes, e fica semanas sem ligar o aparelho
O consumível é pó, não líquido — por isso ela é o formato que melhor convive com longos intervalos sem uso. Uma de entrada declara 20 ppm, bandeja de 150 folhas e toner de até 1.000 páginas, que a cerca de R$ 309,00 na loja oficial dá algo perto de R$ 0,31 por página. Duas conferências obrigatórias: o modelo usa cilindro separado (na ficha que vimos, até 10.000 páginas) e é um segundo consumível a orçar; e o toner que vem na caixa pode ser inicial, de ~700 páginas. Não imprime em cores, e essa é a pergunta que decide.
5. Multifuncional laser monocromática
para o home office que copia, digitaliza e imprime documento o tempo todo
É a laser com scanner em cima, e o formato que faz mais sentido para quem lida com papel de trabalho: contrato, recibo, formulário, prova. Procure dois recursos que separam os modelos e mudam a rotina — o alimentador automático de originais, que digitaliza ou copia uma pilha sem você trocar folha a folha, e a impressão frente e verso automática, que além de comodidade corta o consumo de papel pela metade. Vale a mesma dupla conferência da laser simples: códigos do toner e do cilindro, com preço dos dois, e o que exatamente acompanha o produto. Em rede, confira se há Ethernet além do Wi-Fi se a impressora vai ficar longe do roteador.
6. Impressora fotográfica compacta
para foto 10×15 e adesivo — outro produto, com outra conta
Não é uma impressora de documento pequena: é uma categoria à parte, feita para imprimir foto no formato de bolso a partir do celular, normalmente por Bluetooth ou Wi-Fi. O que muda é a conta: aqui o consumível costuma ser vendido em pacotes de N folhas, então o custo por foto é preço do pacote ÷ número de folhas — a mesma divisão deste guia, com outro divisor. Antes de comprar, confira o formato exato do papel (10×15 e o formato de bolso não são a mesma coisa), se o papel é adesivado, e se o refil da sua marca é fácil de achar, porque é ele que você vai comprar para sempre. Para imprimir texto, ela não substitui nenhuma das anteriores.
Por onde começar
Antes de tudo: pegue o modelo que você está olhando, procure o preço do consumível e o rendimento declarado dele, e divida. Esse número é a compra. Imprime toda semana, com cores: multifuncional de tanque de tinta. Imprime bastante mas só preto e branco, e às vezes fica um mês sem ligar: laser monocromática. Tem pilha de documento para digitalizar e copiar: multifuncional laser com alimentador automático. Imprime duas páginas por mês e o orçamento inicial é curto: multifuncional a cartucho, já comprando o XL. Só imprime e digitaliza pelo celular: tanque sem scanner. Quer foto 10×15: é outra categoria, com outro cálculo por folha. Está montando o posto de trabalho inteiro: a mesa e a organização de cabos e o monitor têm guias próprios. O que evitar: comparar impressoras pelo preço do aparelho; tomar o “até X páginas” como previsão em vez de comparação; comprar laser sem orçar o cilindro; supor que o consumível da caixa é do mesmo tamanho do de reposição; e confundir a velocidade do modo rascunho com a velocidade ISO.
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