Guia da Escolha

Purificador e filtro de água: compare o refil pelo litro

O aparelho é comprado uma vez; o refil, para sempre. E é no refil que a categoria esconde a conta. Todo refil é declarado da mesma forma — “6 meses ou X litros, o que ocorrer primeiro” —, só que o prazo é igual em praticamente todas as marcas e o volume não é: um refil que abrimos declara 1.500 litros e outro, de marca diferente, declara 3.000 litros para o mesmo prazo de seis meses. Como o limite que vier primeiro é o que vale, comparar pelo mês não diz nada e comparar pelo litro diz tudo. Com os números publicados dá para ir além: 1.500 litros divididos por 180 dias dão 8,3 litros por dia — acima disso, o volume acaba antes do prazo. E um refil de R$ 73,90 trocado duas vezes por ano custa cerca de R$ 148 por ano. Este guia mostra como fazer essa conta e o que mais dá para conferir na ficha. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.

Referência atualizada e precisão publicada em 12/09/2026, com o artigo corrigido em 14/09/2026. Este guia citava a Portaria Inmetro nº 344, de 22 de julho de 2014. Ela está revogada pelo art. 15 da Portaria Inmetro nº 102, de 22 de março de 2022 (Inmetro/ME), alterada pela Portaria Inmetro nº 188, de 18 de março de 2026. Ao reler o texto novo, encontramos duas mudanças em sentidos opostos, e começamos pela que enfraquece o que dissemos. O escopo do programa cresceu. A frase que citamos — sobre os equipamentos não elétricos que melhoram a qualidade da água — hoje é apenas um dos seis incisos do art. 4º, § 1º: os outros cinco trouxeram para dentro do programa os equipamentos elétricos, com e sem refrigeração e com aquecimento. Se você leu aqui que o programa era só dos não elétricos, essa leitura ficou estreita. A segunda mudança reforça o que dissemos: o refil deixou de estar fora do programa por interpretação nossa e passou a estar fora pelo nome — o art. 4º, § 2º, inciso II, exclui os “elementos filtrantes ou dispositivos de melhoria da qualidade da água, que sejam componentes de reposição”. A conclusão prática do guia não muda: o aparelho é certificado, a peça de troca não é. O que mudou em 14/09/2026: a versão desta nota publicada em 12/09 atribuía as duas passagens ao art. 1º e falava em quatro incisos. No texto consolidado do ato, o art. 1º apenas aprova os anexos; o escopo e as exclusões estão no art. 4º, e os incisos do § 1º são seis. O artigo estava errado nas duas citações, e a contagem, em uma delas. A conclusão sobre o refil não muda — mas uma nota de precisão que cita o artigo errado carimba de conferido o que não foi, e por isso ela está dita aqui em vez de reescrita em silêncio.

Antes de escolher

  • Compare o refil pelo litro, não pelo mês. É o critério que organiza a compra inteira. A declaração padrão da categoria é “6 meses ou 1.500 litros – o que ocorrer primeiro”, e o detalhe está no ou: vale o limite que chegar antes. Como o prazo é praticamente o mesmo em todo o mercado — seis meses —, o número que diferencia os produtos é o volume. E ele varia muito: vimos 1.500 litros numa marca e 3.000 litros em outra, o dobro pelo mesmo prazo. Ao comparar dois aparelhos, portanto, ignore o “6 meses” (que é igual) e olhe os litros. Se a ficha do refil não declarar o volume, você não tem como comparar — e isso, por si, já é um critério de desempate contra o modelo.
  • Quantos litros a sua casa consome por dia. Essa conta define qual dos dois limites vai valer para você, e ela é simples. 1.500 litros ÷ 180 dias = 8,3 litros por dia. Se a sua casa consome menos que isso, o prazo de seis meses chega primeiro e o volume sobra; se consome mais — e uma casa com quatro pessoas passa disso com facilidade —, o volume acaba antes, e o refil precisa ser trocado antes dos seis meses ainda que o calendário diga o contrário. Faça a conta com o refil de 3.000 litros e o número dobra: 16,6 litros por dia. Por isso, para casa com mais gente, o refil de maior volume não é luxo — é o que faz o prazo declarado valer. Anote quantos litros vocês consomem por dia antes de escolher.
  • O custo por litro filtrado: a divisão que ninguém publica. Os dois fatores estão publicados em páginas diferentes e ninguém faz a conta. Pegue o preço do refil e divida pelos litros declarados. No exemplo que abrimos: R$ 73,90 ÷ 1.500 L ≈ R$ 0,05 por litro. Agora o custo anual: dois refis por ano dão cerca de R$ 148 — e, com aparelhos partindo de algo em torno de R$ 600, isso significa que em cerca de quatro anos o gasto com refil se aproxima do preço do aparelho. Não é argumento contra comprar: é o número que deve entrar na decisão, do mesmo jeito que o custo por página entra na compra de uma impressora. Antes de escolher o modelo, procure o preço do refil dele — e confira se é peça fácil de achar.
  • Classe de filtragem: o que a classificação oficial mede. Existe classificação oficial nesta categoria, e ela é o critério comparável. O fabricante descreve a “Filtragem Classe A” como a “classificação máxima do INMETRO, garantindo retenção de partículas e redução de cloro”. Guarde os dois termos técnicos: retenção de partículas e redução de cloro — é isso que a classe declara, e é isso que dá para comparar entre modelos. Ao ler um anúncio, procure a classe declarada e desconfie do que não declara nenhuma. Vale lembrar que a categoria está na lista oficial de programas compulsórios do Inmetro, sob a entrada “equipamentos para consumo de água”, com mecanismo de certificação — então procure também o selo e o registro.
  • Para que água o aparelho foi feito. Essa é uma informação de aplicação que muda tudo e que, segundo o próprio Inmetro, nem todas as marcas trazem: se o produto é para água pré-tratada — a que vem da rede de abastecimento — ou para água direta da fonte, como poço ou nascente. O instituto registrou que “alguns informam outros não”, e que a variedade de informações na rotulagem “confundem o consumidor quando da decisão de compra”. Na prática: se a sua casa é ligada à rede, o produto comum atende; se a água vem de poço ou nascente, você precisa de um produto declarado para essa condição, e o assunto deixa de ser escolha de prateleira — passa a exigir orientação técnica específica sobre a sua água.
  • Vazão em litros por hora: quanto tempo o copo demora. É a especificação que define a experiência de uso e ela é publicada. Vimos 90 litros por hora numa ficha e 60 litros por hora em outra — uma diferença de 50%. Traduzindo para o copo: 90 L/h são um litro e meio por minuto; 60 L/h, um litro. A diferença aparece quando várias pessoas enchem garrafa em sequência, e some quando é um copo por vez. Repare que a vazão anda junto com o tipo de aparelho: os de pressão, ligados direto na rede, entregam mais que os de gravidade, que dependem do peso da água no reservatório. Compare vazão entre modelos do mesmo tipo — entre tipos diferentes o número não é comparável.
  • Água gelada, natural ou ambos: o que muda no aparelho. A escolha entre purificador com refrigeração e purificador natural muda três coisas objetivas. Consumo: o refrigerado tem compressor ou sistema eletrônico e fica ligado o tempo todo; o natural não consome energia. Instalação: o refrigerado precisa de tomada além do ponto de água, e a posição dele passa a depender dos dois. Preço: a diferença entre os dois formatos costuma ser maior que o custo de dois anos de refil, o que vale calcular antes. Se você escolher o refrigerado, verifique na ficha a capacidade de água gelada por hora, que é diferente da vazão total — são dois números distintos e alguns anúncios misturam os dois.
  • Instalação, ponto de água e manutenção. Antes de comprar, resolva onde ele vai ficar. Os modelos de pressão ligam na rede e exigem um ponto de água por perto, com registro próprio; os de bancada com galão dispensam ponto de água mas exigem espaço e o reabastecimento do galão; os de gravidade não precisam de nenhum dos dois. Confira a pressão de trabalho aceita pelo modelo quando declarada, porque prédio alto e casa térrea têm realidades diferentes. E some à conta a periodicidade da troca: além do refil, alguns modelos pedem limpeza periódica do reservatório. Instalação em ponto de água existente é simples; abrir ponto novo é obra, e aí vale o mesmo que dizemos nos nossos guias de fixação — é serviço de profissional.
Purificador de água elétrico, com água gelada — imagem ilustrativa

1. Purificador de água elétrico, com água gelada

para quem quer água gelada sem garrafa na geladeira e tem tomada perto do ponto de água

Se você quer água gelada na hora e tem tomada perto do ponto de água, é este. Compare por quatro campos publicados: a vazão em litros por hora (vimos 90 L/h e 60 L/h), a capacidade de água gelada, que é número diferente da vazão total, a classe de filtragem declarada e — o mais importante — o refil: quantos litros e a que preço. Faça a divisão antes de decidir: um refil de R$ 73,90 para 1.500 litros sai a cerca de cinco centavos por litro. Confira o selo e o registro do Inmetro, já que a categoria está na lista de certificação compulsória.

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Purificador de água natural, sem refrigeração — imagem ilustrativa

2. Purificador de água natural, sem refrigeração

para quem não faz questão de água gelada e quer zero consumo de energia

Faz o mesmo trabalho de filtragem sem compressor: não consome energia, não precisa de tomada e costuma custar bem menos que o refrigerado. As conferências são as mesmas: classe de filtragem, vazão e, sobretudo, o volume e o preço do refil — que é onde mora o custo de verdade. Como não há tomada na equação, a posição do aparelho depende só do ponto de água, o que dá mais liberdade na cozinha. Verifique se o modelo aceita o mesmo refil da linha refrigerada da marca: quando aceita, você tem mais opções de reposição e preço.

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Filtro de pressão, ligado na torneira ou na rede — imagem ilustrativa

3. Filtro de pressão, ligado na torneira ou na rede

para quem quer o custo de entrada mais baixo e já tem ponto de água

É o formato mais simples e o mais barato de instalar: liga direto na rede ou na torneira. O que conferir, na ordem: para qual água o produto é declarado — pré-tratada, da rede de abastecimento, ou direta da fonte —, porque o Inmetro já registrou que nem todas as marcas informam isso; a classe de filtragem; e o refil, pelo volume em litros e pelo preço. Verifique também a pressão de trabalho aceita e se acompanha as conexões de que você precisa. É o formato em que a variedade de rotulagem é maior, então leia a ficha inteira antes.

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Filtro de gravidade, de barro ou de bancada — imagem ilustrativa

4. Filtro de gravidade, de barro ou de bancada

para quem não tem ponto de água disponível nem quer instalação

Não depende de pressão nem de tomada: a água desce pelo próprio peso. Em troca, a vazão é bem menor que a dos modelos de pressão — e por isso os números de vazão dos dois tipos não se comparam entre si. Compare pelos campos próprios: capacidade do reservatório em litros, que define quanto você armazena de uma vez, o elemento filtrante e sua vida útil declarada, e o espaço que a peça ocupa na bancada. Confira se há reposição do elemento filtrante à venda e a que preço — vale a mesma divisão de custo por litro dos outros formatos.

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Refil de reposição — imagem ilustrativa

5. Refil de reposição

a compra que você vai repetir duas vezes por ano pelo resto da vida do aparelho

Aqui está o custo real da categoria, e a regra de compra é rígida: o refil é específico do modelo. Antes de comprar, anote o código do refil (não só o modelo do purificador) e compare pelo que importa: os litros declarados e o preço. Um refil que abrimos declara “6 meses ou 1.500 litros – o que ocorrer primeiro” por R$ 73,90; outra marca declara 3.000 litros pelo mesmo prazo. Divida preço por litros e compare. Se o seu aparelho tem alerta luminoso de troca, ele avisa pelo que vier primeiro; se não tem, anote a data e acompanhe o consumo.

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Bebedouro de garrafão — imagem ilustrativa

6. Bebedouro de garrafão

para quem não quer ponto de água nem instalação, e já compra galão

Resolve o problema sem obra alguma: o galão vira o reservatório. Compare por três campos objetivos: a capacidade de água gelada por hora, o tipo de refrigeração (compressor ou eletrônica, que muda consumo e tempo de resfriamento) e o formato de carga — o de galão em cima exige levantar 20 litros toda vez, e há modelos de carga inferior que dispensam isso. Verifique se o modelo tem filtragem além da refrigeração, porque nem todos têm. E lembre do custo recorrente próprio deste formato: aqui ele não é o refil, é o galão — some isso antes de comparar com um purificador de rede.

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Atualização: a escala oficial vai de A a F — e o refil fica de fora dela

Atualização publicada em 12/09/2026. Quando escrevemos este guia, dissemos que existe classificação oficial de filtragem apoiados na descrição de um fabricante, que chamava a “Filtragem Classe A” de “classificação máxima do INMETRO”. Estava certo, mas incompleto — e agora o texto do regulamento está aberto. Ele é a Portaria Inmetro nº 102, de 22 de março de 2022 (Inmetro/ME), que revogou a Portaria nº 344, de 22 de julho de 2014, citada na primeira versão deste guia, e o quadro de campos da etiqueta define, verbatim, a “classe de eficiência de retenção de partículas (A a F) e gramatura das partículas retidas (µm), ao lado do campo “com ou sem redução de cloro livre”. Em outras palavras: “Classe A” não é um selo solto, é o topo de uma escala de seis degraus — e o tamanho de partícula em micrômetro anda ao lado dela. Ao comparar dois produtos, leia a letra e o número em µm; um sem o outro diz pouco.

A segunda parte da atualização muda a leitura do custo, que é o eixo deste guia. O mesmo regulamento delimita o que entra no programa: ele se aplica a “todos os equipamentos não elétricos que possuam a característica de melhoria da qualidade da água para consumo humano”, além dos elétricos — mas exclui expressamente os “elementos filtrantes ou dispositivos de melhoria da qualidade da água, de reposição (ex.: elementos purificadores do tipo UV e ozonizadores, velas cerâmicas e velas de carvão ativado)”. Traduzindo: o aparelho é certificado, e o refil — a peça que faz a filtragem e que você troca duas vezes por ano — não é objeto do programa. A classe impressa na embalagem de um refil vem da mesma escala oficial, mas ali ela é declaração do fabricante, não resultado da certificação do programa.

Nada disso é motivo para não comprar, e nenhuma das duas informações muda os números que este guia usa: o refil continua sendo comparável pelo litro e continua sendo o item que decide o custo do ano. O que muda é o que você pode cobrar de cada parte: no aparelho, exija o selo, o registro e a classe com o µm ao lado; no refil, compare fichas, porque é o fabricante quem responde pelo que está escrito ali. A mesma distinção, aplicada ao filtro que se rosqueia direto na torneira, está no guia de torneira, filtro e ducha higiênica.

Por onde começar

Faça duas contas antes de escolher: divida os litros do refil por 180 dias para saber se o volume ou o prazo chega primeiro na sua casa (1.500 L dão 8,3 L por dia), e divida o preço do refil pelos litros para achar o custo por litro filtrado. Quer água gelada: purificador elétrico, conferindo vazão, capacidade de gelada e o refil. Não faz questão de gelada: purificador natural, sem consumo de energia. Quer o custo de entrada mais baixo: filtro de pressão, verificando para qual água ele é declarado. Não tem ponto de água: filtro de gravidade ou bebedouro de garrafão. Já tem o aparelho: compre o refil pelo código, comparando litros e preço. Sua água vem de poço ou nascente: isso não é escolha de prateleira — procure orientação técnica sobre a sua água antes de comprar qualquer coisa. Outros pontos de água da casa: o chuveiro elétrico tem guia próprio, e a cafeteira também. O que evitar: comparar refis pelo prazo, que é igual em todos; escolher o aparelho sem saber o preço do refil dele; comparar vazão entre tipos diferentes; e comprar sem conferir para qual água o produto foi declarado.

Também no Guia: Caixa d’água

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Purificador e filtro de água: compare o refil pelo litro — Guia da Escolha

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