Guia da Escolha

Cooktop e fogão de mesa: a classe A da etiqueta exige 63% de rendimento, e nenhuma ficha publica esse número

Abrimos dez fichas de cooktop e fogão de mesa, de dois fabricantes. Todas as dez publicam a letra da etiqueta de energia, e nove dizem “A”. Nenhuma publica o número que define a letra. Procuramos “rendimento” e o sinal de porcentagem nas dez: zero. O número existe e está no regulamento: pela Tabela A.1 da Portaria Inmetro nº 8, de 5 de janeiro de 2022 (Inmetro/ME), a classe A da mesa de queimadores é “η ≥ 63 por cento de rendimento médio, e a escala inteira vai de 52 a 63 — onze pontos para cinco letras. E há um detalhe que só aparece quando se olha a página: esse 63 não é texto no arquivo do ato. É uma imagem colada dentro da célula, de 71 por 40 pixels. Qualquer leitura automática do regulamento devolve “η ≥” sem número algum. Este guia mostra onde cada dado está, o que nenhuma ficha traz e a conta que devolve, de graça, a informação que mais falta: quantas bocas fortes o aparelho realmente tem. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.

Antes de escolher

  • A letra da etiqueta não separa nada aqui — e o número que a define não é publicado. Comece por aqui porque é o campo que todo anúncio mostra. Nas dez fichas que abrimos, a classificação energética aparece em todas: nove trazem “A” e uma traz “Isento”. Num conjunto em que quase todo mundo é A, a letra não distingue um produto do outro. O que distinguiria é o rendimento em porcentagem, e ele dá zero em dez. Pela Tabela A.1 do ato, as faixas são A: η ≥ 63; B: 61 ≤ η < 63; C: 59 ≤ η < 61; D: 57 ≤ η < 59; E: 52 ≤ η < 57 — e a nota do próprio ato diz que a classe E “é admitida apenas para fogões com 01 (um) queimador”. Ou seja, para um aparelho de quatro ou cinco bocas o piso prático é o D. Peça o rendimento em porcentagem: é ele que compara, não a letra.
  • O número que define a classe A é uma imagem dentro do arquivo do regulamento. Vale saber porque muda o que dá para conferir sozinho. Ao abrir o PDF do ato e procurar o limiar da classe A, o texto devolvido é “η ≥”sem número. Todas as outras linhas da tabela trazem os dois limites em texto normal. Só olhando a página renderizada é que o 63 aparece: ele está desenhado como uma figura de 71 por 40 pixels colada na célula, e não como caractere. A consequência prática é que uma busca por “63” no regulamento não encontra o limiar da melhor classe. Registramos isso porque quase publicamos o contrário: a primeira leitura, automática, dizia que o ato não trazia o número. Trazia — e só o olho pegou.
  • As duas tabelas do ato usam as mesmas letras em sentidos opostos. É a confusão mais fácil de cometer num fogão, que carrega as duas. Para a mesa de queimadores, a Tabela A.1 classifica pelo rendimento e quanto maior, melhor — A é η ≥ 63. Para o forno, a Tabela A.2 classifica pelo Índice de Consumo de Manutenção e quanto menor, melhor — A é Ic ≤ 49, e a pior faixa, E, é 60 < Ic ≤ 63. O mesmo número, 63, é o piso da melhor classe numa tabela e o teto da pior na outra. Um cooktop só tem a primeira, porque não tem forno; um fogão pode exibir duas letras que se leem em direções contrárias. Veja sempre a qual das duas a letra se refere — um dos fabricantes que abrimos rotula o campo como “Classif. Mesa”, e essa é a forma certa.
  • “Potência” quer dizer duas coisas diferentes conforme o fabricante — e a soma devolve as bocas. Esta é a conta que o guia entrega pronta. Um dos fabricantes publica a potência por queimador, com o apelido ao lado: “3,00 kW (rápido)”, “1,75 kW (semi-rápido)”, “3,5 kW (tripla chama)”. O outro publica no catálogo um único campo, “Potência (KW)”, com 8,25, 11,25 e 11,75 — que é o total, e nenhum documento diz que é. Some os queimadores do primeiro e os números do segundo fecham exatamente: 3,0 + 3 × 1,75 = 8,25; 2 × 3,0 + 3 × 1,75 = 11,25; 3,5 + 3,0 + 3 × 1,75 = 11,75. A decomposição é a única possível com esses valores, e revela o que nenhuma ficha diz: o de quatro bocas tem um queimador rápido e três semi-rápidos, não dois e dois. Quando só houver o total, divida-o pelas bocas — se a média ficar perto de 2 kW, há poucas bocas fortes.
  • “Dimensões” aparece duas vezes na mesma ficha, e os dois fabricantes usam ordens opostas. É o campo que faz o produto não caber. Em sete das dez fichas há dois campos de medida na mesma página: um “Dimensões do Produto (C x L x A)” e outro só “Dimensões”, com números diferentes e sem legenda de eixo — por exemplo 45 × 72 × 16 cm contra 49 × 74 × 16 cm no mesmo produto. E a ordem muda de marca para marca: uma escreve C × L × A em centímetros, a outra A × L × C em milímetrosordens espelhadas, de modo que ler os dois da esquerda para a direita como se fossem a mesma coisa produz absurdo. Confira a legenda antes do número. O guia de talheres já mostrou o caso em que a ficha avisa que o peso é o da embalagem; aqui os dois campos existem e nenhum avisa qual é qual.
  • A medida do recorte é a que decide se cabe, e ela aparece em duas das dez. Registramos a ausência porque ela é o resultado. Para um aparelho de embutir, o número que resolve a compra não é o tamanho do produto: é o do rasgo na bancada. Ele apareceu em 2 das 10 fichas — “Dimensão do corte para instalação (L x P): 500 x 380 mm” num modelo e 980 x 380 mm noutro. Nas outras oito não há campo, inclusive nos que são vendidos como “de embutir”. Um manual traz o dado em desenho, e ali mora um erro que vale conferir: a legenda diz “Dimensões do alojamento (dimensões em cm) e os números do desenho estão em milímetros — sabemos porque o mesmo desenho traz 580 e 460 para o produto, exatamente os milímetros que o catálogo publica. Meça o vão e peça a medida do recorte por escrito antes de fechar a compra.
  • A etiqueta é obrigatória na página de venda, e a certificação aqui é compulsória. Vale saber porque é direito seu, e está escrito. A mesma Portaria Inmetro nº 8, de 5 de janeiro de 2022, cobre fogões, fornos e cooktops a gás no mesmo ato (art. 4º, § 1º) e determina, no art. 7º, que esses produtos “devem ser submetidos, compulsoriamente, à avaliação da conformidade, por meio do mecanismo de certificação”. E o art. 6º, § 2º, é direto sobre a loja on-line: é responsabilidade do administrador do site disponibilizar a ENCE ou as informações dela em texto “em todas as páginas onde haja oferta ou exibição do produto, de forma ostensiva, clara e unívoca”. Há ainda uma exclusão nomeada: o art. 4º, § 2º, tira do regulamento os fogões e cooktops “ditos semiprofissionais” — mas só os que reúnem todas as sete características listadas, entre elas ter um queimador de 4 kW ou mais e outro de 1 kW ou menos. “Semiprofissional” no anúncio é palavra de venda; no ato é uma porta estreita, e produto que não cumpre as sete continua dentro da regra.
  • Um campo diz “Isento” e o vizinho diz “A”, na mesma página. É a contradição que o comprador consegue ver sozinho. Numa das fichas, o campo “Certificado do Inmetro” traz “Isento” enquanto, poucas linhas acima, a mesma página declara “Classificação Energética: A” e “Etiquetas: ENCE e CONPET”. Noutra ficha da mesma loja os três campos dizem “Isento” de forma coerente. Achamos também divergência entre documentos do mesmo fabricante: o catálogo registra “Tipo de Gás: GLP” e o manual dos mesmos três produtos diz “GLP ou Natural”; e a pressão sai como 2,8 kPa no catálogo e “GLP: 28 à 35 mbar” no manual — 2,8 kPa são exatamente 28 mbar, e a conversão não está em lugar nenhum. Quando dois campos discordarem, peça o número do certificado, que é o que se confere junto ao Inmetro.
Cooktop a gás de 4 bocas para embutir — imagem ilustrativa

1. Cooktop a gás de 4 bocas para embutir

o formato padrão da bancada, e onde a conta das bocas mais engana

É o recorte padrão da bancada de cozinha pequena e média. Nas fichas que abrimos, o de quatro bocas aparece com potência total de 8,25 kW num fabricante e com 3,00 kW e 1,75 kW por queimador noutro. Somando, o total só fecha com um queimador rápido e três semi-rápidos — não com dois e dois, que é o que a maioria imagina. Peça a potência de cada boca e a medida do recorte antes de escolher.

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Cooktop a gás de 5 bocas com tripla chama — imagem ilustrativa

2. Cooktop a gás de 5 bocas com tripla chama

para quem cozinha em panela grande, e o único com queimador de 3,5 kW

O queimador central de chama tripla é o que justifica o preço. No manual que abrimos ele é declarado com 3,5 kW, contra 3,0 kW do rápido e 1,75 kW do semi-rápido; noutro fabricante, o central de tripla chama aparece com 3,00 kWmesmo apelido, potências diferentes. Compare pelo kW do queimador central, não pela palavra “tripla”, e confira se a etiqueta que a página exibe é a da mesa.

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Cooktop a gás de 2 bocas — imagem ilustrativa

3. Cooktop a gás de 2 bocas

para bancada estreita, quitinete e área gourmet

É a versão curta do mesmo produto, e foi justamente nela que encontramos o dado que quase ninguém publica: “Dimensão do corte para instalação (L x P): 500 x 380 mm. O de quatro bocas da mesma linha pede 980 x 380 mm — quase o dobro na largura, com a mesma profundidade. Meça o vão disponível primeiro: a profundidade costuma ser o limite real, não a largura.

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Fogão de mesa portátil, de 2 a 4 bocas — imagem ilustrativa

4. Fogão de mesa portátil, de 2 a 4 bocas

o que se apoia no balcão e não é de embutir

É o aparelho de bancada, que também aparece como fogão de camping. Nas fichas que abrimos, o campo “Tipo de Montagem” traz “Portátil” e o produto pode vir isento de etiqueta — um modelo de duas bocas declarava “Isento” nos três campos de conformidade, de forma coerente. Repare se há etiqueta: quando houver, ela é comparável; quando não houver, não há letra para comparar.

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Fogão de mesa de embutir, de 4 a 5 bocas — imagem ilustrativa

5. Fogão de mesa de embutir, de 4 a 5 bocas

o nome que descreve dois produtos opostos ao mesmo tempo

Este é o caso de etiqueta de prateleira mais confuso do nicho. O mesmo produto aparece catalogado em “fogões de bancada e camping”, nomeado “fogão de mesa de embutir” e descrito no campo “Tipo Produto” como “Fogão a Gás Portátil de Embutir”portátil e de embutir na mesma frase. Na prática é um cooktop com trempe de ferro fundido. Decida pelo campo “Tipo de Montagem” e pela existência da medida de recorte, não pelo nome.

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Cooktop por indução ou elétrico — imagem ilustrativa

6. Cooktop por indução ou elétrico

o produto que sai deste regulamento e entra noutro

Sem gás, o aparelho não é objeto da Portaria Inmetro nº 8, de 5 de janeiro de 2022 — que trata de “aparelhos de uso doméstico que utilizam gás como combustível”. O ato só o menciona quando a placa de indução vem como acessório de um aparelho a gás. Isso muda o que se compara: aqui não há a etiqueta da mesa de queimadores nem rendimento em porcentagem, e o dado que passa a valer é a potência elétrica e a exigência do circuito. Confira a tensão e a corrente antes — este guia não trata de instalação elétrica.

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Por onde começar

Comece pela letra e pare de usá-la logo em seguida: nas dez fichas que abrimos, nove dizem “A”, e um campo em que quase todos recebem a mesma nota não compara nada. Peça o rendimento em porcentagem — é o número que a Tabela A.1 do regulamento usa, com a classe A começando em 63 e a escala inteira cabendo entre 52 e 63. Depois vá à potência, e repare em qual das duas formas ela está publicada: se vier por queimador, some para ter o total; se vier só o total, divida pelo número de bocas e, melhor ainda, tente decompor — foi assim que descobrimos que o de quatro bocas tem um queimador rápido e três semi-rápidos. Em seguida, a medida que realmente derruba compra: o recorte da bancada, que apareceu em duas das dez fichas. Meça o vão, peça a medida por escrito e confirme em que unidade ela está, porque encontramos um desenho rotulado em centímetros com os números em milímetros. Confira também se a página mostra a etiqueta: pelo art. 6º, § 2º, do ato, a ENCE — ou as informações dela em texto — deve estar em todas as páginas que ofereçam o produto. E se dois campos discordarem, peça o número do certificado, que é o que se confere junto ao Inmetro. Nada aqui é orientação de execução: instalar, conectar, regular ou converter o gás de um aparelho é serviço de profissional qualificado, e a instrução que vale é a do manual do seu produto.

Fontes desta página. A potência por queimador, a classificação energética e a medida do corte para instalação estão nas fichas de cooktop do fabricante, a potência total de 8,25, 11,25 e 11,75 kW, a pressão em kPa e o tipo de gás estão no catálogo de especificações técnicas de outro fabricante, em PDF, os 3,0 kW, 1,75 kW e 3,5 kW de cada queimador e a pressão em mbar estão no guia do usuário do mesmo fabricante, em PDF, e as faixas de 52 a 63 por cento da Tabela A.1, a exclusão dos semiprofissionais e a obrigação da etiqueta na página de venda estão no texto da Portaria Inmetro nº 8, de 5 de janeiro de 2022, em PDF. Conferido em 15 de setembro de 2026. Foram dez fichas de dois fabricantes, mais um catálogo e um manual. Os três cooktops de um deles estão na área de produtos descontinuados do próprio site, e o catálogo e o manual são PDF de imagem — um com zero caracteres extraíveis e o outro com 169 em doze páginas —, lidos como imagem. Dois domínios de fabricante pedem, no robots.txt, que não sejam lidos automaticamente, e não foram acessados; os manuais de um terceiro ficam num endereço cujo robots.txt não responde, e também não foram abertos. Na base de atos do Inmetro, a consulta foi feita depois de confirmar que a base respondia. Documentos do fabricante podem mudar sem aviso.

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