Peça de teatro se lê — e algumas se leem melhor do que muito romance. Estas seis são o essencial de 25 séculos de palco: a tragédia fundadora, a comédia que enfureceu um rei, o absurdo e os dois marcos brasileiros.
1. Édipo Rei
Sófocles
O homem que fugiu do destino e correu direto para ele. Vinte e cinco séculos depois, continua sendo a máquina dramática mais perfeita já construída — lê-se numa sentada.
2. Tartufo
Molière
O falso devoto que se infiltra numa família e quase leva tudo. A comédia que enfureceu a corte de Luís XIV — porque a hipocrisia, então como hoje, não gosta de espelho.
3. A Gaivota
Anton Tchékhov
Artistas frustrados, amores em cadeia e uma gaivota morta no meio do palco. A peça que inventou o drama moderno: nada explode, e tudo desmorona.
4. Esperando Godot
Samuel Beckett
Dois homens esperam alguém que nunca chega — e o teatro nunca mais foi o mesmo. O clássico do absurdo que é, ao mesmo tempo, a comédia e a tragédia da condição humana.
5. Auto da Compadecida
Ariano Suassuna
João Grilo e Chicó enganando metade do sertão até o julgamento final com Nossa Senhora. A obra-prima do teatro brasileiro: popular, engraçada e profundamente nossa.
6. Vestido de Noiva
Nelson Rodrigues
Alaíde entre a realidade, a memória e a alucinação — em três planos simultâneos no palco. A peça de 1943 que fundou o teatro moderno brasileiro e ainda choca.
Por onde começar
Para rir: Auto da Compadecida. O fundamento: Édipo Rei. O choque brasileiro: Vestido de Noiva. O desafio que vale: Esperando Godot.
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