Guia da Escolha

Disjuntor: o “C 25” impresso é a curva e os ampères, e nenhuma das 25 fichas diz de quantos milímetros quadrados é o fio

Disjuntor é um produto de par: o número dele só significa alguma coisa ao lado da seção do fio que ele protege. Abrimos 25 fichas de minidisjuntor, 14 de DR e 18 de DPS no catálogo de um fabricante, e 18 fichas de fio e cabo no catálogo aberto de outro. Nenhuma das 25 fichas de disjuntor diz de quantos milímetros quadrados é o cabo que aquela corrente exige, e nenhuma das 18 fichas de cabo diz de quantos ampères é o disjuntor correspondente. Os dois lados do par existem, cada um na sua página, e nenhum documento de venda traz o outro. O que a ficha do disjuntor traz é um campo parecido“Terminais de Conexão nos bornes: 1 a 25 mm²”, em 12 das 25 —, e ele diz o que cabe no borne, não o que o circuito pede. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.

Antes de escolher

  • O número impresso no disjuntor vem sem o “A”, e isso é exigência escrita. Comece por aqui porque é a leitura que quase todo mundo erra. O Anexo II da Portaria Inmetro nº 129, de 23 de março de 2022, no item 6.1, alínea d), manda marcar em cada disjuntor a “corrente nominal sem o símbolo ‘A’, precedido do símbolo de disparo instantâneo (B, C ou D), por exemplo B 16”. Então “C 25” é curva C e 25 ampères — e o “A” está ausente porque o regulamento manda que esteja. O item 6.2 acrescenta que essa marcação tem de ser “facilmente visível quando o disjuntor estiver instalado”, e o item 6.8 que as marcações são indeléveis e não podem ficar em parafusos, arruelas ou partes removíveis.
  • A letra da curva é uma faixa de disparo, e a tabela do ato dá os números. É o segundo campo do produto e o mais mal explicado no varejo. A Tabela 2 do mesmo anexo define as faixas de disparo instantâneo: B — superior a 3 In até 5 In; C — superior a 5 In até 10 In; D — superior a 10 In até 20 In, com a nota de que “em casos especiais, os valores até 50 In podem ser utilizados”. In é a corrente nominal do próprio disjuntor. Nas fichas que abrimos, 19 de 25 publicam a letra; uma delas escreve a faixa por extenso, “Tipo C (5 a 10) x In”, que é a tabela do ato dentro da ficha.
  • Metade das fichas não diz a corrente daquele modelo. Vale porque muda o que dá para comparar. 12 das 25 fichas publicam a corrente nominal do produto da página. As outras 13 publicam a faixa da linha inteira — uma delas lista “Corrente nominal — In(A) de 1, 2, 3, 4, 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63” na página de um modelo específico. O número daquele produto está no nome comercial e no código, não no campo técnico. O mesmo acontece em 14 fichas de DR que abrimos: uma delas traz “Corrente nominal In(A): 25, 40, 63, 80 e 100”. Ao comparar, confira se o número que você está lendo é do modelo ou da família.
  • A capacidade de interrupção está em todas, e vem escrita de três jeitos. É o campo que separa um disjuntor barato de um caro e quase ninguém olha. 25 de 25 fichas publicam a capacidade de interrupção em kA — e no mesmo fabricante ela aparece grafada “3kA”, “6 KA” e “10Ka”. Uma ficha chega a dar dois pares de valores, um por norma de ensaio: “NBR NM 60898: 3 kA” e “NBR IEC 60947-2: 6 kA / 4,5 kA”. São ensaios diferentes, e comparar um contra o outro não compara nada. O item 6.1 f) do anexo manda marcar esse valor no produto.
  • O campo que parece dizer o fio não diz o fio. Esta é a armadilha central deste guia. 12 das 25 fichas trazem “Terminais de Conexão nos bornes: 1 a 25 mm²”, e 13 das 18 fichas de DPS trazem “Conectores para cabos: 50 mm²” ou “Máxima seção dos condutores: 35 mm²”. Os três dizem qual cabo cabe fisicamente no parafuso do borne — é uma medida do produto, não do seu circuito. Um borne que aceita até 25 mm² aceita também 1,5 mm², e nada nesse campo diz qual dos dois o seu caso exige. Medir o campo parecido não é medir o campo certo.
  • O DR publica os miliampères; o tipo, só em metade. Serve para o dispositivo que protege pessoa e não fio. Nas 14 fichas de DR, 13 publicam a corrente diferencial de operação — 30 mA em todas as que traziam o valor —, e apenas 7 nomeiam o tipo (AC, A ou B). Uma delas nomeia o tipo no texto de apresentação, não em campo: “O Interruptor Diferencial Residual (IDR) do tipo A … é capaz de detectar fugas de correntes alternadas, e ainda correntes contínuas pulsantes”. Tipo e miliampères são campos diferentes e os dois decidem; quando a ficha só traz um, o outro fica por conta do projeto.
  • O regulamento até prevê a seção do cabo — e só por exceção. É o achado que explica os zeros acima, e ele está no Anexo III da mesma portaria, no item 6.1.2. Entre os dados que devem ser marcados externamente, a alínea j) pede a “seção mínima do cabo, se diferente do valor indicado na Tabela 9 da ABNT NBR IEC 60947-1:2013, para as correntes ≤ 20 A em função da capacidade nominal de interrupção máxima em curto-circuito Icu”. Ou seja: o campo existe, é exigido apenas quando o valor foge de uma tabela de norma, e essa tabela está numa norma ABNT que não é de acesso aberto. Por isso o par nunca chega inteiro ao comprador.
  • Há um dado que o fabricante só entrega se você pedir. Registramos porque é uma omissão autorizada, e conhecê-la ajuda. O item 6.3 do Anexo II diz: “O fabricante deve disponibilizar, quando solicitado, a característica I²t”. O mesmo anexo lista o I²t entre as informações do produto. É um número que não está na embalagem nem na ficha por desenho do regulamento, e que se obtém pedindo ao fabricante. O item 6.2 fecha a regra geral: “Qualquer outra informação não marcada deve ser fornecida na documentação do fabricante”.
  • Certificação é condição de venda, e o ato está em vigor sem alterações. É o que se pode conferir na loja. O art. 6º da portaria determina que os disjuntores “devem ser submetidos, compulsoriamente, à avaliação da conformidade, por meio do mecanismo de certificação”, e o art. 5º manda que todos os elos da cadeia — inclusive “o comércio em estabelecimentos físicos ou virtuais” — mantenham a integridade das marcações obrigatórias. Conferimos a ficha oficial do ato em 18 de setembro de 2026: situação “Em vigor”, publicado no Diário Oficial da União de 31 de março de 2022, seção 1, páginas 65 a 75, e a Legislação Correlata lista apenas dois atos que ele revogounenhum ato alterador e nenhuma revogação agendada.
  • Para DR e DPS, a nossa busca não alcançou — e isso não é o mesmo que não existir. Declaramos o limite porque ele muda o que este guia pode afirmar. Na base de legislação do Inmetro, disjuntor devolve 20 atos e a fatia que vimos chegou até a faixa dos vigentes, com um: a portaria citada acima. Já diferencial e residual devolvem 24 e 23 atos e a primeira página não alcançou nenhuma linha “Em vigor” — logo não sabemos o que existe, e não dizemos que não existe. E há um contraste que vale guardar: minidisjuntor devolve 5 atos, todos visíveis, nenhum em vigor, enquanto o assunto é regulado sob a palavra disjuntor. Zero de palavra não é zero de assunto.
Minidisjuntor monopolar de curva C — imagem ilustrativa

1. Minidisjuntor monopolar de curva C

o circuito comum de tomadas e iluminação

É o formato de uma unidade de largura, o mais comum em quadro residencial. Compare por três campos: a corrente nominal, a letra da curva e a capacidade de interrupção em kA. Confira se a ficha dá a corrente daquele modelo ou a faixa da linha inteira — em 13 das 25 que abrimos era a faixa. Qual corrente o seu circuito pede é decisão de projeto elétrico, e não deste guia.

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Minidisjuntor bipolar e tripolar — imagem ilustrativa

2. Minidisjuntor bipolar e tripolar

para chuveiro, forno, ar-condicionado e circuitos de 220 V

Aqui a leitura da ficha muda de detalhe importante. Nos modelos que abrimos, a capacidade de interrupção é declarada por número de polos e por tensão“230/400 V (1P) e 400 V (2P/3P): 3 kA” —, e a tensão de operação nominal aparece como “2 polos: 400 Vca”. Compare polos com polos. A escolha entre bipolar e tripolar depende do esquema da instalação, que é assunto de profissional.

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Interruptor diferencial residual (DR / IDR) — imagem ilustrativa

3. Interruptor diferencial residual (DR / IDR)

o dispositivo que protege pessoa, não fio

Dois campos decidem, e só um deles aparece em quase toda ficha. A corrente diferencial estava em 13 das 14 fichas, sempre 30 mA nas que traziam valor; o tipo (AC, A ou B) apareceu em 7. Procure o tipo antes de comparar preço — as fichas descrevem o tipo A como o que também detecta corrente contínua pulsante. A exigência de uso é da norma de instalação e do projeto, não deste guia.

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Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) de quadro — imagem ilustrativa

4. Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) de quadro

o que fica no quadro de distribuição, não na régua

É outro produto, e não se confunde com a régua com proteção. Nas 18 fichas que abrimos, os campos são tensão de operação (Uc) — 175, 275 e 385 Vca, com cor própria para cada —, corrente nominal de descarga (In) e corrente máxima de descarga (Imax) em kA, e a norma citada é a IEC 61643-1. A tensão de operação tem de bater com a tensão do seu sistema, e isso se define em projeto.

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Quadro de distribuição de embutir ou sobrepor — imagem ilustrativa

5. Quadro de distribuição de embutir ou sobrepor

a caixa que recebe tudo isso, medida em módulos

Aqui o par é entre o quadro e a quantidade de disjuntores. Os produtos são vendidos por número de módulos (o “passo” de 18 mm que um minidisjuntor monopolar ocupa), e as fichas que abrimos declaram trilho DIN de 35 mm como tipo de instalação. Um bipolar ocupa dois módulos e um tripolar, três. Conte os módulos que você já tem antes de comprar, e deixe folga.

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Fio e cabo flexível de 750 V — imagem ilustrativa

6. Fio e cabo flexível de 750 V

o outro lado do par, e onde o número dele não está

É o produto que o disjuntor protege. Nas 18 fichas do catálogo que abrimos, nenhuma cita disjuntor e nenhuma publica a corrente admissível como valor; o que aparece é a tensão nominal, a norma, a classe de encordoamento e as cores. A capacidade de condução de corrente do fabricante vive numa tabela separada, fora da página do produto. A seção do seu circuito é definida em projeto.

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Por onde começar

Comece lendo o que está impresso no disjuntor que já está no seu quadro: a letra e o número, como C 25, são a curva e os ampères — o regulamento manda marcar assim, sem o “A”, e manda que fique visível com o disjuntor instalado. Depois, ao comparar fichas, confira se a corrente publicada é a do modelo ou a da linha inteira: em 13 das 25 que abrimos era a faixa da família. Em seguida olhe a capacidade de interrupção em kA, que estava em 25 de 25, e compare valores da mesma norma de ensaio e do mesmo número de polos. No DR, procure os dois campos: miliampères e tipo — o segundo apareceu em apenas 7 de 14. E quanto ao par disjuntor–fio: ele não está em nenhuma das duas fichas, e o campo dos bornes em milímetros quadrados não responde por ele, porque diz o que cabe no parafuso e não o que o circuito exige. Dimensionar circuito, escolher a seção do fio e instalar são serviço de profissional qualificado — este guia compara campos declarados e para aí.

Fontes desta página. Os campos de corrente nominal, curva de disparo, capacidade de interrupção, corrente diferencial e seção dos bornes foram lidos nas fichas publicadas nas páginas de produto do catálogo aberto de um fabricante de material elétrico e de um fabricante de fios e cabos. O texto da Portaria Inmetro nº 129, de 23 de março de 2022, com as alíneas de marcação, a Tabela 2 das faixas de disparo e a alínea da seção mínima do cabo, está na íntegra publicada pelo Inmetro e a situação do ato, em vigor, na ficha oficial de informações complementares. Conferido em 18 de setembro de 2026. É preciso dizer o tamanho e o limite desta apuração. As 25 fichas de minidisjuntor, 14 de DR e 18 de DPS vêm de um único fabricante e foram amostradas por família dentro do catálogo dele; as 18 fichas de fio e cabo são o catálogo aberto inteiro de outro fabricante. Elas medem como essas duas fontes publicam, não o mercado. Não ligamos, medimos nem ensaiamos nenhum disjuntor, DR, DPS ou cabo, e não abrimos nenhum quadro. Não lemos a ABNT NBR 5410 nem a Tabela 9 da ABNT NBR IEC 60947-1, que não são fontes abertas — e é justamente nelas que o regulamento situa o valor de referência da seção do cabo. Na base de legislação do Inmetro, as buscas por diferencial e por residual devolveram 24 e 23 atos sem que a primeira página alcançasse qualquer linha em vigor, de modo que não determinamos se há regulamento em vigor para DR e para DPS; ausência de achado não é ausência de regra. Documentos do fabricante podem mudar sem aviso.

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