Guia da Escolha

Colchão e travesseiro: D20 é densidade em quilo por metro cúbico, não firmeza — e o anúncio não traz medida nenhuma

O número que a vitrine chama de “D20” ou “D33” não é uma nota de firmeza: é a densidade da espuma em quilos por metro cúbico, e é assim que o regulamento manda declará-la. A ficha do fabricante que abrimos deixa isso evidente ao trazer três campos separados na mesma tabela: “Densidade D20”, “Nível de Conforto: Macio” e “Peso Suportado: 60kg por pessoa”. São três informações diferentes, e o anúncio costuma fundir tudo numa palavra. Há ainda o que não está no anúncio: procuramos altura, largura e comprimento nas páginas de dois colchões do mesmo fabricante e não há nenhuma medida em centímetros — só “Tamanho: Casal”. Quem obriga as medidas é a etiqueta costurada no produto, e nela a altura vem primeiro. Este guia mostra o que a norma obriga a estar escrito, o que a ficha publica e o que decide a compra. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.

Antes de escolher

  • D20 é densidade, e densidade é quilo por metro cúbico. É a tradução que resolve metade das dúvidas da categoria. O regulamento técnico em vigor manda a etiqueta declarar a “densidade nominal das lâminas de espuma utilizadas, em kg/m³ — ou seja, o “D” do anúncio é literalmente a massa de um metro cúbico daquela espuma. E fixa mínimos por tipo de produto: 20 kg/m³ para colchões e colchonetes em geral, 28 kg/m³ para colchão auxiliar, box conjugado e misto, 30 kg/m³ para espumas de alta resiliência e viscoelástica e 65 kg/m³ para aglomerado. Compare produtos pelo número, sabendo que ele mede quanto material há em cada metro cúbico — e não quanto o colchão é duro.
  • Densidade, conforto e peso suportado são três campos diferentes. Vale conhecer porque a ficha os separa e a vitrine não. Na página do fabricante que abrimos, o mesmo colchão declara “Densidade D20”, “Nível de Conforto: Macio” e “Peso Suportado: 60kg por pessoa. O terceiro é o mais útil e o menos olhado: ele diz quanto aquele modelo foi feito para sustentar por pessoa — e, nas duas páginas que abrimos, solteiro e casal do mesmo modelo, o número é o mesmo, justamente porque é por pessoa. Some o seu peso e o de quem divide a cama, compare com esse campo, e só depois discuta maciez.
  • O anúncio não traz medida; a etiqueta é obrigada a trazer as três. Esse é o contraste que muda a forma de comprar. Procuramos altura, largura e comprimento nas páginas de dois colchões e não há nenhuma medida em centímetros — a ficha diz apenas “Tamanho: Casal” ou “Solteiro”. Já a norma exige, na etiqueta do produto, as “dimensões do produto sem os pés (altura x comprimento x largura, nesta ordem)”, com tolerância declarada de -0,5/+1,5 cm na altura e ±1,5 cm em comprimento e largura. Ou seja: o dado existe e é obrigatório, mas mora na etiqueta costurada, não na vitrine. Peça a foto da etiqueta antes de comprar pela internet — e repare que a norma pôs a altura em primeiro lugar, que é justamente o número que decide o lençol.
  • A etiqueta tem tamanho mínimo e não pode ficar embaixo. É um detalhe de norma que serve de teste rápido na loja. O regulamento manda que o colchão traga uma etiqueta de pelo menos 150 cm², em material durável e indelével, fixada de forma permanente no revestimento e em local distinto da face inferior, de modo a permitir a visualização completa. E exige que o tipo do produto — “colchão de espuma”, “box conjugado”, “auxiliar”, “misto” ou “colchonete” — apareça em letras de no mínimo 20 mm, em negrito e caixa alta. Se a etiqueta estiver escondida na parte de baixo ou o tipo não estiver legível, o produto não está como o regulamento descreve.
  • O selo do Inmetro não cobre o colchão inteiro, e a etiqueta tem de dizer isso. Aqui está o campo que mais engana e que a própria norma obriga a esclarecer. Para o colchão misto, a etiqueta deve trazer, em caixa alta: “O SELO DE IDENTIFICAÇÃO DA CONFORMIDADE DO INMETRO REFERE-SE SOMENTE ÀS AVALIAÇÕES DA ESPUMA FLEXÍVEL DE POLIURETANO, DO REVESTIMENTO E DA CHAPA DURA. AS DEMAIS PROPRIEDADES E MATERIAIS DECLARADOS PELO FABRICANTE NÃO FORAM AVALIADOS”. E há avisos equivalentes obrigatórios quando o produto tem lâmina de látex, tipo rabatan ou EVA“não foi avaliada pelo processo de certificação do produto” — e quando o revestimento é de napa ou courvin. Leia esses avisos: eles dizem, com todas as letras, o que o selo não garante.
  • Espessura mínima: 12 cm no colchão de espuma, e caixa de ovo não conta. É o número que separa colchão de colchonete e o que impede a conta inflada. A tabela do regulamento fixa a espessura da lâmina de espuma: colchonete de 4 a 8 cm; colchão infantil, mínimo 7 cm; colchão de espuma, mínimo 12 cm; e mínimo 5 cm para auxiliar, box conjugado e misto. A norma ainda avisa que a lâmina de caixa de ovo não pode ser considerada para compor a espessura mínima, e que a medida do colchão é da lâmina sem o revestimento. Ao comparar dois produtos de mesma altura total, é a lâmina que interessa.
  • Chamar de “espuma” tem regra: 70% do volume. Fecha a confusão de nomes de linha. O regulamento diz que não é permitido classificar um colchão como “de espuma” quando ele não for constituído majoritariamente por espuma flexível de poliuretano — e define majoritariamente como 70 a 100% da composição volumétrica. Os outros 30% têm limite de indentação declarado. Some a isso o limite de colagens, no máximo duas na horizontal em colchão simples e uma em colchonete, e você tem três campos objetivos para conferir na etiqueta antes de acreditar no nome da linha.
  • Viscoelástico e hipermacio não sustentam sozinhos — a norma diz isso. É o critério que explica por que colchão “de viscoelástico” é sempre composto. O regulamento determina que as espumas dos tipos hipermacia e viscoelástica só podem ser usadas na camada de toque, porque “não possuem características estruturais para suportar o peso do usuário”. O mesmo vale para o pillow: o texto diz que ele “sozinho não permite sustentação ao peso do usuário” e que o pillow vendido solto não está abrangido pela portaria. Ao comparar, procure na etiqueta a densidade da lâmina de baixo, que é a que sustenta, e não só a do conforto de cima.
  • Travesseiro: ninguém publica a altura, que é o campo que decide. Aqui está a ausência que este guia registra. Abrimos três travesseiros do mesmo fabricante: um declara 70 × 50 cm, outro declara 52 × 38 cm, um terceiro não declara tamanho — e nenhum dos três declara altura. O que publicam é “nível de conforto” (macio, médio, firme), que é rótulo e não medida. Como a altura é o que preenche o espaço entre o ombro e a cabeça, o jeito de comprar sem o dado é medir o travesseiro que você já tem e comparar a descrição. E confira o tamanho contra a sua fronha: o de 52 × 38 cm não entra na capa de 50 × 70 cm em que o mercado de roupa de cama converge.
  • Travesseiro tem etiqueta obrigatória — por ausência na lista de exclusões. Vale saber o que se pode cobrar. O travesseiro não tem regulamento próprio do Inmetro: a busca devolve só atos revogados de etiquetagem têxtil. Fomos ao regulamento têxtil em vigor, a Portaria Inmetro nº 118, de 11 de março de 2021, e a palavra “travesseiro” não aparece nenhuma vez nas suas vinte páginas — inclusive no apêndice que lista os 60 produtos têxteis dispensados. Sendo produto têxtil e não estando entre os dispensados, ele está sujeito: é conclusão por ausência, e o dizemos abertamente. Reforça a leitura o fato de a lista excluir, por nome, apenas a “almofada porta alfinetes” — o regulador nomeia a almofada que quer deixar de fora. Na prática: exija etiqueta com composição, origem e cuidados.
Colchão de espuma de densidade básica — imagem ilustrativa

1. Colchão de espuma de densidade básica

o de entrada, para quarto de hóspedes ou uso ocasional

É onde os números da norma aparecem no piso. As fichas que abrimos declaram lâmina de espuma convencional de 20 kg/m³ — o mínimo que o regulamento admite para colchão comum — com peso suportado de 60 kg por pessoa e nível de conforto macio. Confira na etiqueta a espessura da lâmina, que para colchão de espuma tem mínimo de 12 cm, e lembre que caixa de ovo não conta para essa medida.

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Colchão de espuma de densidade alta — imagem ilustrativa

2. Colchão de espuma de densidade alta

para uso diário e para quem pesa mais

É o degrau que a norma trata de outro jeito. Para colchão auxiliar, box conjugado e misto, a densidade mínima da lâmina sobe para 28 kg/m³; e espumas de alta resiliência ou viscoelástica precisam de pelo menos 30 kg/m³. Compare o campo peso suportado por pessoa da ficha com o peso de quem vai dormir, e confira a densidade da lâmina de sustentação, não a do revestimento — a norma permite que a do revestimento seja declarada só como “D maior que”.

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Colchão box conjugado — imagem ilustrativa

3. Colchão box conjugado

colchão e base numa peça só, para quem quer altura sem montar cama

É um tipo com nome próprio na norma, e isso muda o que a etiqueta tem de dizer: além das dimensões sem os pés, ela deve informar a altura dos pés isoladamente. A densidade mínima da lâmina aqui é de 28 kg/m³ e a espessura mínima, de 5 cm. Meça a altura total que você quer na cama e confira contra a soma declarada, lembrando da tolerância da norma, de -0,5 a +1,5 cm na altura.

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Colchão infantil para berço — imagem ilustrativa

4. Colchão infantil para berço

o único com aviso obrigatório sobre o vão do berço

É a categoria que a norma trata com regra própria. A densidade mínima é de 18 kg/m³ até 1500 mm de comprimento e 20 kg/m³ acima disso, com espessura mínima de 7 cm. E a embalagem deve trazer o aviso de que as dimensões precisam respeitar as instruções do berço, de modo que não se forme espaço maior que 30 mm entre o colchão e as laterais. Meça o berço antes e compare com as medidas da etiqueta.

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Travesseiro de fibra ou de espuma — imagem ilustrativa

5. Travesseiro de fibra ou de espuma

a peça que se troca mais e a que menos publica número

É a compra em que você depende da descrição. Nas fichas que abrimos, o que se declara é “nível de conforto” — macio, médio ou firme — e às vezes o tamanho: 70 × 50 cm num, 52 × 38 cm noutro. Nenhuma declara altura. Antes de comprar, meça o travesseiro que você usa hoje e confira o tamanho contra a sua fronha, porque fora do padrão de 50 × 70 cm a capa comum não serve.

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Protetor de colchão e capa — imagem ilustrativa

6. Protetor de colchão e capa

para manter a etiqueta e a garantia valendo

Fecha a compra e protege o que foi certificado. Como o regulamento manda a etiqueta ser permanente e ficar visível fora da face inferior, escolha protetor que não a esconda nem exija removê-la. Compare a altura do colchão declarada na etiqueta com a altura que o protetor aceita — é o mesmo número que decide o lençol com elástico, e ele vai de 20 a mais de 40 cm dependendo do modelo.

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Por onde começar

Comece pela etiqueta, e não pelo nome da linha. Procure nela os três campos que o regulamento obriga e que resolvem a compra: a densidade em kg/m³ de cada lâmina — o “D” do anúncio —, o tipo do produto em letras de pelo menos 20 mm, e as dimensões sem os pés, na ordem altura × comprimento × largura. Essa altura é o número que o anúncio não traz e que decide o lençol, o protetor e a base. Depois olhe a ficha do fabricante e separe o que ela separa: densidade não é nível de conforto e nenhum dos dois é peso suportado — nas páginas que abrimos, um colchão de D20 declara 60 kg por pessoa, e o número é o mesmo no solteiro e no casal. Confira a espessura da lâmina contra os mínimos da norma (12 cm no colchão de espuma) e lembre que caixa de ovo não conta. Leia os avisos obrigatórios: eles dizem o que o selo do Inmetro não avaliou — látex, rabatan, EVA, revestimento de napa. Para o travesseiro, aceite que a altura não é publicada: meça o que você tem e confira o tamanho contra a fronha, porque 52 × 38 cm não cabe na capa de 50 × 70 cm. E exija etiqueta também nele: por não estar entre os 60 produtos têxteis dispensados do regulamento de etiquetagem, ele deve trazer composição, origem e cuidados.

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