O dado que decide a compra de um cabo não está na página do produto: está impresso no próprio fio. A Portaria Inmetro nº 131, de 23 de março de 2022 (Inmetro/ME) determina que, “sobre a isolação, em intervalos regulares de até 275 mm, devem ser marcados, de forma indelével”, cinco itens: marca de origem, número de condutores e seção em mm², tensão de isolamento, país de origem e a designação. Em um metro de cabo isso se repete quase quatro vezes — e é conferível com o rolo na mão, no balcão. Abrimos oito fichas de um fabricante e procuramos qualquer menção a essa marcação: “marcação”, “impresso”, “indelével” e “275” dão zero nas oito. O que a página publica é a designação — um dos cinco —, e é justamente ela que permite comparar o que a loja escreve com o que está escrito no fio. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.
Antes de escolher
- Cinco informações, indeléveis, a cada 275 mm — e elas estão no cabo, não na página. Comece por aqui porque é o único dado desta categoria que você confere sem depender de ninguém. O item G.1.1.6.1.1 da Portaria Inmetro nº 131, de 23 de março de 2022, manda marcar sobre a isolação, “em intervalos regulares de até 275 mm” e “de forma indelével”: a) marca de origem; b) número de condutores e seção nominal em mm²; c) tensão de isolamento; d) país de origem; e) designação. Peça para ver o cabo antes de pagar e leia o que está impresso: em um metro a sequência se repete quase quatro vezes, e a ausência dela é o primeiro sinal de que algo não confere.
- A designação é o código que resume o cabo — e a ficha publica esse. É o campo que permite comparar a página com o produto. Nas fichas que abrimos, a designação aparece assim: “DESIGNAÇÃO DO PRODUTO: Classe 4 – 247 NM 02 – C4 BWF-B”. 247 NM remete à família de normas do produto; C4 ou C5 é a classe de encordoamento — quanto mais alta, mais flexível; BWF a própria ficha explica, “(Resistente à propagação de chamas)”. Anote a designação da página e confira contra a impressa no cabo: elas têm de ser a mesma, e é essa comparação que o regulamento torna possível.
- A página escreve “750 V”; o certificado escreve “450/750 V”. Vale reparar porque são a mesma coisa dita de dois jeitos, e só um é o do regulamento. Nas oito fichas, a tensão aparece em todas — quase sempre como 750 V no nome do produto. A palavra “isolamento” aparece em nenhuma. Só que o item que o ato manda marcar é a tensão de isolamento, escrita na forma (V₀/V) — e é assim que o certificado do mesmo produto a traz: 450/750 V. Não é divergência de valor: 450 V é a tensão entre condutor e terra e 750 V entre condutores. Se o cabo trouxer só um número, procure o par, porque é o par que a norma usa.
- Nenhuma ficha reproduz o que está escrito no cabo. Registramos a ausência porque ela é o resultado, e ela é redonda. Procuramos nas oito fichas as palavras “marcação”, “marcado”, “impresso”, “indelével” e o número “275”: zero em todas. A seção nominal em mm² — que é o segundo item da lista obrigatória e o número pelo qual se compra — aparece como texto em apenas três das oito; nas outras ela está em tabela de imagem ou no catálogo. O que a norma manda gravar no produto, a página não repete — e por isso a conferência tem de ser feita no balcão.
- O rolo tem etiqueta própria, com onze itens. É onde está o que não cabe na isolação. Pelo item G.1.1.7.3, o rolo deve ter “uma etiqueta firmemente fixada” com onze indicações, entre elas comprimento nominal em metros, massa bruta em quilogramas, número da norma técnica de referência, a designação e — o mais útil de todos — lote e data de fabricação. Para produto importado, a etiqueta deve trazer “a razão social ou nome do importador e seu domicílio legal”. Confira a etiqueta do rolo antes de cortar: depois de cortado, o que sobra é o que está impresso na isolação.
- O certificado de conformidade está linkado na ficha — e diz que ele mesmo não basta. Este é o achado que mais muda a expectativa. As fichas que abrimos linkam o certificado do produto, e ele traz o modelo de certificação — “Modelo 5 (…) com avaliação de acompanhamento a cada 6 meses” —, o regulamento aplicado e a validade: “Emissão em 13/04/2022. Esta revisão é válida de 04/04/2024 até 13/04/2027”. E então, no rodapé, o próprio documento avisa: “Para verificação da condição atualizada de regularidade deste Certificado de Conformidade, deve ser consultado o banco de dados de produtos e serviços certificados do Inmetro”. O papel diz que a data do papel não é a resposta — a certificação pode ter sido suspensa dentro da validade impressa.
- O documento que prova a conformidade é o menos legível dos três. Vale saber antes de tentar conferir. A ficha linka três documentos: uma folha de dados de uma página, um catálogo e o certificado. O certificado tem 17 páginas e rende 16 caracteres de texto — é um escaneado, com 36 imagens. Nenhuma busca por palavra funciona nele; só a leitura página a página. Se for conferir, conte com ler no olho, e guarde o número do certificado e a revisão, que é o que se digita no banco de dados do Inmetro.
- A classe do condutor muda a flexibilidade, e vem escondida na designação. É o dado prático que a designação carrega e a prateleira não explica. Na ficha que abrimos, o mesmo produto existe em classe 4 e classe 5, e a diferença está descrita assim: “classe 4 até a seção nominal de 6 mm² e classe 5 a partir da seção 10 mm² (extraflexível)”. A classe aparece no código — C4 ou C5 — e não como campo próprio. Se a aplicação exige dobrar o cabo, olhe a classe na designação, porque é ali que ela está, tanto na página quanto impressa no fio.
1. Cabo flexível 750 V
o mais usado em instalação residencial, e o que traz a designação completa
É o cabo de condutor flexível para circuitos de força e luz. A ficha que abrimos traz a designação 247 NM 02 – C4 BWF-B, a norma de referência NBR NM 247-3 e a isolação em PVC tipo BWF, que a própria página explica como “resistente à propagação de chamas”. Confira a mesma designação impressa na isolação antes de levar o rolo.
2. Fio sólido (rígido) 750 V
o de condutor único, para instalação fixa dentro de eletroduto
Mesma família de norma, condutor sólido em vez de encordoado — menos flexível e mais fácil de passar em trecho reto. A marcação obrigatória é a mesma: cinco itens a cada 275 mm. Repare na classe dentro da designação: é ela que diz o quanto o cabo aceita ser dobrado, e é o que separa este do flexível na hora de instalar.
3. Cordão flexível paralelo e torcido 300 V
o cabinho de aparelho e de extensão — e a tensão é outra
É o cordão que liga aparelho à tomada, com tensão nominal de 300 V, não 750. Está no mesmo regulamento, num anexo próprio. Não troque um pelo outro: a tensão de isolamento é menor e a aplicação é diferente — e o guia de plugue e tomada desta casa já mostrou como o teto em watts depende da tensão que se está considerando.
4. Cabo com isolação livre de halogênio
para ambiente onde a fumaça importa, e o código muda
É a linha que troca o PVC por composto sem halogênio, com designação e norma próprias. Nas fichas que abrimos, a diferença aparece no nome e na norma de referência, não num campo de comparação. Peça a designação completa e confira contra a impressa no cabo — aqui a distinção entre as linhas é justamente o que o código carrega.
5. Cabo de rede
o que não está no mesmo regulamento e é vendido no mesmo balcão
Cabo de dados de par trançado é vendido ao lado do cabo de energia e responde a outra família de normas — a lista fechada do art. 4º, § 1º da Portaria nº 131/2022 é de cabos elétricos, definidos por tensão. Não procure a mesma marcação nem a mesma designação: o que existe aqui é a categoria do cabo, e o guia de cabo HDMI desta casa mostrou como funciona esse outro tipo de nomenclatura.
6. Rolo de 100 metros e cabo cortado no balcão
a diferença que muda o que você consegue conferir
O rolo fechado traz a etiqueta com onze itens, incluindo lote e data de fabricação, comprimento nominal e massa bruta. O cabo cortado no balcão não traz etiqueta nenhuma — sobra apenas o que está impresso na isolação. Se comprar cortado, leia a impressão no fio antes de sair da loja, e peça o número do certificado se quiser conferir no banco de dados do Inmetro.
Por onde começar
Comece olhando o cabo, não a página. A norma manda que estejam impressos, de forma indelével e a cada 275 mm, cinco itens: marca de origem, número de condutores e seção em mm², tensão de isolamento, país de origem e designação. Anote a designação da página — algo como 247 NM 02 – C4 BWF-B — e confira se é a mesma que está no fio. Se comprar em rolo fechado, leia também a etiqueta, que deve trazer onze indicações, entre elas lote e data de fabricação e o comprimento nominal em metros. Repare que a página costuma dizer 750 V e o certificado 450/750 V: é o mesmo cabo, e o par é a forma que a norma usa. E se for até o certificado, guarde o número e a revisão — porque ele mesmo avisa, no rodapé, que a validade impressa não é a resposta e que a condição atual tem de ser consultada no banco de dados do Inmetro. Este guia não trata de instalação: dimensionar circuito, escolher bitola e instalar são serviço de profissional qualificado.
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Fontes desta página. A exigência de marcação indelével a cada 275 mm, a lista dos cinco itens e os onze da etiqueta do rolo estão no texto da Portaria Inmetro nº 131, de 23 de março de 2022, em PDF, a designação do produto, a norma de referência e a explicação de BWF estão na ficha do cabo flexível do fabricante. Conferido em 15 de setembro de 2026. Foram oito fichas de um fabricante e três documentos: uma folha de dados de uma página, um catálogo e o certificado de conformidade. O certificado tem dezessete páginas e rende dezesseis caracteres de texto — é um documento escaneado, e foi lido como imagem. Na base de atos do Inmetro, o estado de cada consulta foi lido na própria página antes de começarmos, e as três buscas responderam. Não conferimos a marcação impressa em nenhum cabo físico: o que este guia compara é o que a norma exige com o que a página publica, e a conferência no produto fica com quem compra. Documentos do fabricante podem mudar sem aviso.
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