Numa única tabela de produto, na coluna chamada Bitola, aparecem 1/2″, 1″ e 20 — três linhas seguidas, duas réguas diferentes, nenhuma explicação. Em outra página do mesmo catálogo a mesma medida aparece escrita de três jeitos: 20, 20 mm e 25mm. A tabela que resolve isso existe, e está fora da página: no documento técnico da linha, onde se lê “Dimensões (mm) — Cotas: 20 (½”), 25 (¾”), 32 (1″)”. O 20 e o 1/2″ são a mesma bitola. Abri as sete páginas de eletroduto do catálogo, uma a uma, e nelas as palavras norma, classe, compressão e temperatura não aparecem nenhuma vez. Este guia mostra onde cada número mora — e o que existe no lugar do selo que este produto não tem. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.
Antes de escolher
- Duas réguas na mesma coluna, e num caso na mesma tabela. É a troca mais fácil de cometer nesta compra. Nas sete páginas que abri, a coluna Bitola traz: na linha roscável, 1/2″, 3/4″, 1″, 1.1/4″, 1.1/2″ e 2″; na soldável, 20, 25, 32, 40, 50, 60 e 75 sem unidade; e no condulete, 1/2″, 1″ e 20 na mesma tabela. No corrugado, a mesma medida aparece como “20”, “20 mm” e “25mm”. Antes de somar peças, confira em qual régua está cada número.
- A equivalência existe — no documento técnico, não na página. É o dado que desfaz a confusão inteira, e ele está a um PDF de distância. O documento técnico da linha corrugada traz a tabela de dimensões com as duas réguas lado a lado: 20 (½”), 25 (¾”) e 32 (1″). É por isso que uma caixa de luz declara entradas para “1/2″, 3/4″ e 1” e o eletroduto que entra nela é vendido como 20, 25 ou 32. Procure o documento técnico da linha antes de comprar peças de linhas diferentes.
- As páginas de produto não trazem nada técnico. Vale saber para não perder tempo procurando. Nas sete páginas de eletroduto, com fronteira de palavra, contei: norma — 0; NBR — 0; classe — 0; compressão — 0; temperatura — 0; chama — 0; dielétrico — 0. O que a página traz é código, quantidade da embalagem, bitola e algumas cotas — estas últimas sem unidade e sem legenda, em colunas chamadas apenas “Cota B”, “Cota E”, “Cota De” e “Cota l”.
- O documento técnico traz a resistência com a condição junto. Aqui a prateleira publica menos e o documento publica melhor. O documento técnico declara “resistência diametral dos eletrodutos: carga até 320N/5cm” — o número com a condição em que vale, que é o que permite comparar. Cita ainda as normas de referência: a ABNT NBR 15465, dos sistemas de eletrodutos plásticos, e a ABNT NBR 5410, das instalações elétricas de baixa tensão. Nenhuma das duas aparece nas páginas de produto.
- Não há regulamento do Inmetro para este produto. Confirmei por frase na base oficial: “eletrodutos”, “eletrodutos plásticos”, “eletrodutos de aço”, “eletroduto rígido” e “eletroduto flexível” devolvem zero registros cada uma. E na Portaria Inmetro nº 676, de 21 de novembro de 2024 (Inmetro/MDIC), o regulamento consolidado de materiais da construção civil, de 102 páginas, as palavras eletroduto e conduíte não aparecem. Aqui não existe selo do Inmetro a procurar — e isso não é falha do fabricante: é como a categoria está regulada.
- O que existe é um programa setorial, e ele verifica a marcação. É a referência que ocupa o lugar do regulamento. O programa setorial desses eletrodutos é de 2006 e publica indicador de conformidade de 92,9%. O texto de referência lista as oito verificações que entram no cálculo: dimensional, resistência à compressão, resistência ao calor, resistência à chama, resistência à curvatura, rigidez dielétrica, resistência de isolamento elétrico e verificação da marcação. E registra o volume: num ano, 145 auditorias, 499 amostras e 1.826 ensaios. Como sempre nesses programas, quem alimenta os dados é a entidade do setor.
1. Eletroduto corrugado flexível
o amarelo de rolo, vendido pela bitola em régua métrica
É a versão flexível, fornecida em rolo, e a mais representada no catálogo que abri: quatro das sete páginas de eletroduto são de versões corrugadas. Nas páginas que abri, a bitola aparece como 20, 25 e 32 — e o documento técnico esclarece que correspondem a ½”, ¾” e 1″. Confira o comprimento do rolo declarado na embalagem, que varia bastante entre versões, e compare sempre bitola com bitola da mesma régua.
2. Eletroduto corrugado reforçado
a versão de parede mais espessa, com a bitola já escrita com unidade
É a variante reforçada da linha flexível. Curiosamente, é numa das páginas dela que a unidade aparece escrita — 20 mm, 25mm, 32 mm —, enquanto a versão comum traz só o número. O documento técnico da linha reforçada é publicado à parte. Compare a bitola e a quantidade por embalagem, que é o que a página declara.
3. Eletroduto rígido roscável
a linha em polegada, com rosca nas pontas
Aqui a régua é imperial: a coluna Bitola traz 1/2″, 3/4″, 1″, 1.1/4″, 1.1/2″ e 2″. A página declara ainda cotas sem unidade — entre elas a que corresponde à espessura — e o comprimento da barra. Não converta de cabeça entre esta linha e a corrugada: use a tabela de equivalência do documento técnico.
4. Eletroduto rígido soldável
a mesma linha rígida, com a bitola em régua métrica
É a versão de junta soldável, e a coluna Bitola volta ao número sem unidade: 20, 25, 32, 40, 50, 60 e 75. Na página que abri, várias bitolas vinham marcadas como descontinuadas — vale conferir essa coluna antes de planejar a compra, porque ela muda o que está disponível.
5. Condulete e conexões
a peça onde as duas réguas aparecem lado a lado
É o melhor retrato do problema deste guia: na tabela do condulete a coluna Bitola traz 1/2″, 1″ e 20 em três linhas seguidas, sem nada que diga que a primeira e a terceira são a mesma medida. Ao comprar avulso, confira o valor declarado peça por peça e leve a tabela de equivalência junto.
6. Caixa de luz
4×2, 4×4 e octogonal, com entradas declaradas em polegada
É onde o eletroduto termina. O documento técnico declara caixas com entradas para os diâmetros de ½”, ¾” e 1″ e classificação IP 40 — uma sigla de índice de proteção que a página do produto não traz. Compare pelo formato (4×2, 4×4, octogonal) e pelo número de entradas declarado.
Por onde começar
Comece descobrindo em que régua está o número do seu projeto: se é 20 ou é 1/2″, pode ser a mesma coisa — e o catálogo não diz. A tabela que iguala as duas está no documento técnico da linha, e é curta: 20 (½”), 25 (¾”), 32 (1″). Vale baixá-la antes de comprar peças de linhas diferentes, porque é ela que evita comprar conexão que não encaixa. Depois, ajuste a expectativa sobre o que a página vai lhe contar: nas sete que abri, norma, classe, compressão e temperatura não aparecem nenhuma vez — o que há ali é código, embalagem, bitola e cotas sem unidade. O dado que compara de verdade, a resistência diametral, está no documento técnico e vem com a condição junto. E sobre selo: não há regulamento do Inmetro para eletroduto; o que existe é um programa setorial de 2006, com indicador de 92,9%, que verifica oito itens, entre eles a marcação do próprio eletroduto. Instalação elétrica, dimensionamento e execução são de profissional habilitado, e seguem a ABNT NBR 5410 — este guia é sobre o que está escrito.
Fontes desta página. A tabela de equivalência (20 = ½”, 25 = ¾”, 32 = 1″) e a resistência diametral de 320N/5cm estão no documento técnico da linha corrugada, e as oito verificações do programa setorial estão no texto de referência publicado no PBQP-H. Conferido em 14 de setembro de 2026. As páginas de produto conferidas são as sete de eletroduto do catálogo do fabricante, abertas uma a uma: em nenhuma delas aparecem as palavras norma, classe, compressão ou temperatura. Documentos do fabricante podem mudar sem aviso.
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