Um produto vendido como Ralo Linear 50 cm aparece, na tabela do próprio fabricante, com 542 numa coluna e 40 em outra: o primeiro é o corpo da peça, o segundo é a saída — e é a saída que decide se ela encaixa no que já está no chão. O nome carrega o comprimento da grelha, que é a parte que se vê. Abri 58 páginas de ralo, grelha, caixa sifonada e caixa de gordura, e a palavra vazão aparece nelas só como elogio — “maior captação de água e assim maior vazão” —, nunca como número. O número existe: está no catálogo técnico, em litros por segundo, produto por produto. E há uma terceira surpresa: neste canto da obra não há regulamento do Inmetro nem programa setorial — nenhum dos dois. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.
Antes de escolher
- O número do nome é a grelha; o que decide o encaixe é a saída. É a troca mais cara desta compra, e ela está na própria tabela do fabricante. O Ralo Linear 50 cm traz, na linha do produto, 542 de comprimento de corpo e 40 de saída; o de 70 cm traz 742 e 40; o de 90 cm, 942 e 40. Quer dizer: os três têm a mesma saída, e o que muda é o comprimento visível. Em outros modelos o padrão se repete — um ralo aparece como 100×40 e uma caixa sifonada como 100x100x50. Antes de comprar, procure o valor da saída, não o do nome.
- Não há regulamento do Inmetro nem programa setorial para este produto. Vale saber porque muda o que faz sentido procurar. Na base oficial de legislação, “ralo” devolve zero registros e “caixa de gordura”, zero. Na Portaria Inmetro nº 676, de 21 de novembro de 2024 (Inmetro/MDIC), o regulamento consolidado de materiais da construção civil, de 102 páginas, as palavras ralo, caixa sifonada, caixa de gordura e grelha não aparecem — o anexo que existe é o de sifão, definido ali como “desconector acoplado ou integrado a um aparelho sanitário”, que é outra peça. E na lista de 21 famílias acompanhadas pelo programa setorial da habitação não há família de ralo. Aqui não existe selo a procurar: o que há é o que o fabricante declara.
- A vazão existe — no catálogo, e não na página. É o achado mais útil deste guia, e ele inverte o que eu esperava. Nas 58 páginas de produto, vazão aparece apenas como adjetivo. No catálogo técnico do mesmo fabricante, aparece como número: uma grelha para calha de piso de 130 mm de largura tem “capacidade de vazão de 2,70 l/s”, e há tabelas de vazão por declividade para calhas e para tubos de drenagem, além de uma tabela de intensidade de chuva por cidade adaptada da NBR 10844. Se a vazão importa para o seu caso, o documento a procurar é o catálogo — e o cálculo em si é trabalho do profissional que assina o projeto.
- A caixa de gordura cita norma e publica retenção do cesto, não a capacidade da caixa. Aqui é preciso ler devagar. A página declara, com todas as letras, que o produto vem “atendendo a especificação da norma NBR-8160 de projetos de esgotos” e que tem “um exclusivo cesto de limpeza que retém até 18 litros de gordura”. São duas informações boas — e nenhuma delas é a capacidade útil da caixa, que não apareceu em nenhuma das páginas que abri. A NBR 8160 é norma paga e não foi lida aqui: o que este guia registra é que o fabricante a cita, não o que ela exige.
- As cotas voltam sem unidade, e o cabeçalho muda de produto para produto. É o mesmo padrão do tubo, e aqui ele fica mais confuso. As tabelas trazem colunas chamadas Cota A, Cota B, Cota D, Cota d2, Cota d3, Cota Dn1, Cota Dn2 e Cota Dn3, com números soltos e sem unidade escrita. E a primeira coluna às vezes se chama Bitola, às vezes Tamanho, para o mesmo tipo de informação. Duas caixas de gordura da mesma linha chegam a trazer conjuntos de colunas diferentes entre si. Compare peça com peça da mesma tabela, e desconfie de comparar números que vieram de tabelas com cabeçalhos diferentes.
- A ficha técnica que a página oferece pode não abrir. Registro porque é verificável e porque muda o plano de quem vai conferir. Os endereços de ficha técnica ligados às páginas de caixa de gordura e de caixas e ralos responderam “AccessDenied” em três tentativas seguidas — o arquivo existe como link e não abre. Já o catálogo de grelhas e calhas, hospedado em outro endereço, abre normalmente e é onde estão os números. Se a ficha não abrir, procure o catálogo da linha, que costuma ser mais completo do que a página.
1. Ralo linear
vendido pelo comprimento visível, com a saída numa coluna à parte
É o modelo alongado, e o mais sujeito à troca de número: o nome traz 50, 70 ou 90 cm, que é a grelha, enquanto a tabela do fabricante mostra corpo de 542, 742 ou 942 e saída de 40 nos três. Antes de comprar, confira o valor da saída e o espaço real disponível no chão — o comprimento do corpo não é o do nome.
2. Ralo comum de banheiro
o de grelha quadrada, com dois números no rótulo
É o ralo tradicional, que nas tabelas aparece como 100×40 — dois números sem unidade escrita, correspondendo ao corpo e à saída. Alguns modelos trazem saída articulada, o que muda o encaixe. Confira os dois valores declarados e compare com o que já está instalado, porque é a saída que precisa coincidir.
3. Grelha de reposição
a peça que se troca, e que dá nome ao conjunto
É o que a maioria das pessoas realmente compra: a parte de cima, em plástico, cromado ou inox. No catálogo que abri, as grelhas quadradas aparecem por medida visível — 10 cm, 15 cm — e existe versão que abre e fecha. Meça a abertura existente antes, porque a grelha assenta sobre um porta-grelha que já está no chão e não se ajusta.
4. Caixa sifonada
três números no rótulo, e várias entradas
É a peça que recebe mais de um ponto de esgoto. Nas tabelas aparece como 100x100x50, 150x150x50, 150x185x75 e 250x230x75, sem unidade escrita, e o número de entradas varia de 3 a 7 conforme o modelo. Compare o conjunto inteiro dos três valores e a quantidade de entradas — dois modelos com o primeiro número igual podem ser muito diferentes.
5. Caixa de gordura
o que o fabricante declara, e o que ele não declara
A página declara que o produto atende à especificação da NBR 8160 e que o cesto de limpeza “retém até 18 litros de gordura”. O que não apareceu em nenhuma das páginas foi a capacidade útil da própria caixa. Confira as cotas de entrada e de saída declaradas na tabela — num dos modelos elas aparecem como três valores distintos —, e leve o dimensionamento a quem assina o projeto.
6. Grelha de piso para área externa
onde o catálogo publica carga e vazão
É a linha de calha de piso, para pátio, garagem e estacionamento — e é justamente onde o catálogo técnico traz números que a página não traz: capacidade de vazão em litros por segundo e a distinção por nível de carga (pedestres ou veículos, com os limites declarados em tonelada). Se o seu caso é área externa com passagem de veículo, é esse documento que responde — e a escolha final é do responsável técnico.
Por onde começar
Comece pelo número que ninguém anuncia: a saída. É ela que precisa coincidir com o que já está no chão, e ela costuma vir numa coluna chamada apenas “Cota”, sem unidade escrita — enquanto o nome do produto carrega o comprimento da grelha, que é a parte visível. Um ralo linear de 50, 70 ou 90 cm pode ter a mesma saída de 40 nos três. Depois, se o seu caso for área externa, pátio ou garagem, saiba que a vazão e o nível de carga existem — no catálogo técnico, não na página do produto: lá a capacidade vem em litros por segundo e os limites de passagem vêm em tonelada. Se a ficha técnica ligada à página não abrir, procure o catálogo da linha. E ajuste a expectativa sobre selo: não há regulamento do Inmetro nem programa setorial para ralo e caixa de gordura — as buscas na base oficial devolvem zero registros —, de modo que o que existe é o que o fabricante declara. Dimensionamento, instalação e escolha para um ambiente específico são do profissional responsável pela obra; o que for da rede pública é do prestador de saneamento. Este guia é sobre o que está escrito.
Também no Guia: Arejador de 8 lpm
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