O regulamento brasileiro de pneu de bicicleta — a Portaria Inmetro nº 393, de 22 de dezembro de 2020, do Inmetro/ME, alterada pela Portaria Inmetro nº 158, de 9 de abril de 2021 — manda gravar, nos dois flancos, dois números separados por um traço: a largura e o diâmetro nominal do aro, ambos em milímetros — o exemplo do próprio texto é “50 – 559”. Na prateleira, ninguém compra assim. A tabela de câmaras de um fabricante mostra por quê: o aro de 622 mm aparece ali como “27X1 ¼”, “28X1 ¼~1 ¾”, “2.00×2.3”, “700-32/38” e “29×1.50 – 2.1” — cinco designações para o mesmo diâmetro, numa só página. E o “26” da sua bicicleta pode ser 559, 584 ou 590 mm, conforme a linha. Este guia mostra o que a norma obriga a estar gravado no flanco, o que o fabricante publica na tabela, e qual é o único par de números que resolve a compra. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.
Antes de escolher
- O par em milímetro é o que resolve — e está gravado no flanco por obrigação. É o critério que elimina o chute. O regulamento exige que todo pneu traga, de forma permanente e em ambos os flancos, a designação “identificada por um conjunto de dois números de medidas, separados por um traço (…) o primeiro grupo indica a largura do pneu (S) e o segundo indica o diâmetro nominal do aro (Dr) correspondente, ambos em milímetros”. O exemplo do texto: largura de 50 mm e aro de 559 mm formam 50 – 559. Antes de comprar, agache e leia esses dois números no pneu que você já tem: é a informação que não muda de nome entre marcas.
- O número em polegada é um nome comercial, não uma medida. Aqui está a confusão que faz comprar errado. Na tabela do fabricante, 52-559 corresponde a 26X2.0 e 54-622 a 29X2.1. Repare que um não é conversão do outro: 2.0 polegada daria 50,8 mm e a tabela publica 52; e 559 mm é o assento do aro, não 26 vezes 25,4. São medidas de partes diferentes que dividem o mesmo nome. Por isso o mesmo “26” aparece com aro de 559, de 584 e de 590 mm na mesma tabela de câmaras. Compare pelo milímetro; use a polegada só para pedir na loja.
- A câmara se escolhe por dois números, e um deles costuma faltar. É o campo que mais deixa o comprador na mão. A tabela de câmaras tem colunas para “largura (mm)” e “ØAro (mm)”, e a de largura está vazia na maioria das linhas — o diâmetro aparece, a faixa de largura não. Some a isso que a coluna de polegada traz, em duas linhas seguidas, “2.00×2.3” e “2.00-2.30”, que não são diâmetro de aro e sim faixa de largura. Consequência prática: leve a câmara velha, ou o pneu, e confira o diâmetro do aro em milímetro — é o único campo preenchido em todas as linhas.
- O tipo de válvula decide, e vem em nota de rodapé. Vale conferir porque é o erro que se descobre com a bicicleta desmontada. Na tabela do fabricante, a mesma medida de pneu aponta para duas câmaras diferentes, distinguidas só por asterisco: “* Válvula TRI-28 48L” e “** Válvula Presta”. São bicos incompatíveis com o furo do aro e com algumas bombas. Antes de comprar, olhe o bico da câmara que está na roda e confira a nota de rodapé da linha que você escolheu.
- A pressão publicada é a máxima, e o regulamento permite que seja só ela. É um detalhe do texto legal que muda o que você espera achar. A coluna da ficha se chama “MAX PRESSÃO PSI”, traz um valor único e não diz a que largura ou a que carga corresponde — e PSI é a única unidade nas páginas que abrimos. O regulamento explica: a marcação obrigatória é “pressão máxima ou pressão recomendada de inflação, identificada com a devida unidade de medição”. Ou seja, publicar só a máxima cumpre a regra. E a máxima varia com o modelo, não com a medida: na mesma marca, um 20×1.75 aparece com 80 PSI e outro 20×1.95 com 36.
- TPI e carcaça: existe coluna, e ela às vezes muda de notação. É o dado de construção que dá para comparar. A tabela publica TPI — fios por polegada da carcaça — com 33 na maior parte da linha e 33×3 num modelo, ou seja, a mesma coluna com duas notações: um número solto e uma multiplicação. Já a massa do pneu em gramas não aparece: procuramos “peso” e “grama” nas cinco páginas de produto e o resultado foi zero. Quem compara peso de pneu vai ter de pesar.
- O regulamento exige quilometragem mínima em ensaio — e quase ninguém sabe. Aqui está o requisito mais surpreendente do texto. A tabela de desempenho mínimo manda o pneu rodar em ensaio, sem desprender do aro nem separar lonas, banda de rodagem, flanco ou talão, por 1500 km se o aro tem até 399 mm, 2000 km entre 400 e 558 mm, e 3000 km de 559 mm para cima. Há ainda um ensaio de pressão de água em kPa — 800 para largura abaixo de 35 mm, 600 entre 35 e 44, 500 acima de 44 —, e repare que a norma ensaia em kPa enquanto a ficha publica em PSI.
- O que procurar no flanco: selo, país, data e a palavra TUBELESS. Fecha o quadro do que é verificável sem ferramenta. A marcação obrigatória inclui o Selo de Identificação da Conformidade, que “deve ser gravado em pelo menos um dos flancos (…) devendo ser produzido durante a vulcanização”; a data de fabricação por código rastreável; o país de origem, com o texto vedando “designações através de blocos econômicos” e “indicações por bandeiras de países”; a seta de sentido de rotação quando o desenho exigir; e a expressão “SEM CÂMARA” ou “TUBELESS” quando o pneu for projetado para isso. Vale saber o que fica de fora: o regulamento não se aplica a pneus dobráveis (talão de aramida), tubulares nem a pneus de bicicleta infantil.
1. Pneu de aro 622 (o “29” e o “700”)
para quem confirmou 622 mm no flanco e vai comparar largura
É o aro que mais troca de nome: aparece como 29, como 28, como 27 e como 700 conforme a linha. Na tabela que abrimos, as opções vão de 54-622 a 61-622 — ou seja, 29X2.1 a 29X2.4 —, todas com TPI 33 e 50 PSI de pressão máxima. Confira o par em milímetro no flanco do seu pneu antes de escolher a largura.
2. Pneu de aro 559 (o “26”)
para bicicleta de aro 26, quando o flanco confirma 559
Atenção redobrada aqui: o 26 comercial cobre aros de 559, 584 e 590 mm na mesma tabela de câmaras. As opções de pneu que vimos foram 50-559 e 52-559, isto é, 26X1.95 e 26X2.0, com TPI 33 e pressão máxima de 36 a 50 PSI conforme o modelo. Leia os dois números do flanco antes de comprar — o “26” sozinho não basta.
3. Pneu de aro 406 e 507 (as bicicletas de 20 e 24)
para bicicleta juvenil e para roda pequena de adulto
É a faixa em que a pressão máxima mais varia dentro da mesma marca: vimos 44-406 (20X1.75) com 80 PSI, 50-406 (20X1.95) com 36 e 57-406 (20X2.125) com 60. Ou seja, a pressão é do modelo, não da medida. Repare também que o regulamento de pneus só alcança aro de 400 mm ou mais.
4. Câmara de ar com válvula Schrader
a válvula grossa, a mesma dos carros
É a mais comum nas bicicletas de passeio e a que a tabela identifica como TR1-28. Escolha pelo diâmetro do aro em milímetro, que é a coluna preenchida em todas as linhas, e confira a faixa de largura quando ela estiver publicada — em boa parte das linhas o campo está vazio. Se a sua roda tem furo grande, é esta.
5. Câmara de ar com válvula Presta
a válvula fina, comum em speed e em mountain bike de aro 29
Na tabela, é a linha marcada com dois asteriscos e a observação “Válvula Presta”, e às vezes a mesma medida de pneu aponta para duas câmaras — uma Schrader e uma Presta — com códigos diferentes. O furo do aro é menor: se a sua roda tem furo pequeno, não tente a outra. Confira o diâmetro do aro em milímetro e o bico antes de levar.
6. Kit de reparo e bomba com manômetro
para quem vai conferir a pressão que o flanco declara
É o acessório que torna o número da ficha utilizável. Como a pressão publicada costuma ser a máxima, em PSI, sem faixa recomendada, ter um manômetro é o que permite trabalhar abaixo desse teto com alguma precisão. Confira se a bomba atende ao tipo de válvula da sua câmara — Schrader ou Presta — e se o manômetro mostra a escala que o seu pneu usa.
Por onde começar
Comece lendo o flanco do pneu que já está na bicicleta: por exigência do regulamento, ele traz dois números separados por traço, em ambos os lados, e esses dois números — largura e diâmetro do aro, em milímetros — são a única informação que não muda de nome entre marcas. O exemplo do próprio texto legal é 50 – 559. Depois, use a polegada só para pedir na loja, lembrando que ela é nome comercial e não medida: o mesmo “26” cobre aros de 559, 584 e 590 mm, e o mesmo aro de 622 é vendido como 27, 28, 29 e 700. Para a câmara, o campo que está preenchido em todas as linhas é o diâmetro do aro em milímetro; a faixa de largura falta em boa parte delas, então leve a câmara velha ou o pneu. Confira o tipo de válvula, que aparece em nota de rodapé e decide se a câmara entra no furo do aro. Ao comparar pneus, use o TPI e a pressão máxima, que estão publicados — e não procure o peso em gramas, que não está. E, na hora de olhar o produto, confira o que a norma manda estar gravado: selo de conformidade, país de origem por extenso, data de fabricação em código e, quando for o caso, a palavra TUBELESS. Vale saber que pneus dobráveis, tubulares e de bicicleta infantil estão fora desse regulamento. Montagem, calibragem e uso são assunto do manual do fabricante e de oficina — este guia é sobre o que a ficha e o flanco declaram.
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