Abrimos o catálogo técnico de um fabricante nacional de extintores e o campo mais usado para comparar se desfaz na primeira linha: o modelo de 2 kg de carga e o de 4 kg declaram a mesma capacidade extintora — 2-A:20-B:C. Dois modelos de 2 kg da mesma marca, por sua vez, declaram capacidades diferentes entre si. E o de CO2 de 4 kg, que pesa 14,5 kg no total, é o de menor número da lista. Do outro lado da página, o manual do detector de fumaça traz a instrução que contraria a intuição de quase todo mundo: 10 metros de distância mínima de fogão e forno. Este guia mostra quais campos comparar em cada um, o que a norma obriga o fabricante a imprimir no produto e a quem perguntar sobre exigência legal. Ele compara ficha técnica e não promete resultado diante do fogo: o que fazer numa emergência é assunto do corpo de bombeiros, não de guia de compra. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.
Antes de escolher
- O quilo é a carga; quem classifica é a capacidade extintora. É a conta que desmonta a comparação por peso. Nas fichas do fabricante que abrimos, carga e capacidade são dois campos separados — e o regulamento do Inmetro também os trata assim, listando “capacidade extintora” e “carga nominal” como itens distintos do certificado. O resultado aparece na tabela: o modelo de 2 kg de carga e o de 4 kg declaram os mesmos 2-A:20-B:C; e dois modelos de 2 kg declaram 2-A:10-B:C e 2-A:20-B:C, ou seja, mesmo peso e o dobro no número do meio. Ao comparar dois extintores, procure na etiqueta a linha da capacidade extintora — é ela que foi ensaiada, e é ela que muda.
- A classe de fogo diz onde aquele extintor foi ensaiado. É o campo que vem antes do número e decide mais que ele. As fichas que abrimos trazem ABC, BC, A, AB e D, e o regulamento do Inmetro descreve ensaios de classificação próprios para as classes A, B e C. Repare no que isso significa na prática: o extintor de CO2 de 4 kg que abrimos declara 5-B:C — nenhuma classe A —, enquanto o de pó ABC de mesma carga declara 2-A:20-B:C. E o de água de 10 L declara apenas 2-A. Antes de olhar preço, olhe as letras: elas dizem para que tipo de fogo aquele modelo foi ensaiado.
- O nome comercial não é a carga nem o peso. Vale conferir porque os três números convivem na mesma ficha. O extintor vendido como “1 kg” declara carga de 0,9 kg e peso total de 1,5 kg. Um modelo de linha premium chamado de “4 kg” declara carga de 5 kg. E o CO2 de 4 kg pesa 14,5 kg cheio. Se o que importa para você é onde ele vai ficar e quem vai erguê-lo, o número a procurar é o peso total; se o que importa é o que foi certificado, é a capacidade extintora. O nome da caixa não é nenhum dos dois.
- O selo tem QR Code e é conferível por você, no produto. Esse é o campo que a norma manda existir e quase ninguém usa. A Portaria Inmetro nº 108, de 17 de março de 2022, na redação dada pela Portaria Inmetro nº 314, de 29 de maio de 2025, por sua vez alterada pela Portaria Inmetro nº 409, de 2 de julho de 2026, determina que o Selo de Identificação da Conformidade seja aposto “de forma visível e legível”, seja “indelével” e “autodestrutível no caso da tentativa de remoção“, tenha 30 x 40 mm, vida útil de no mínimo 5 anos e traga um “código bidimensional (QR Code) impresso com tinta resistente à cópia autenticável por smartphone“, além de um código alfanumérico para leitura humana. A mesma portaria exige a gravação em baixo relevo, no cilindro, do logo do Inmetro e do código do projeto. Na loja, procure as três coisas: selo, gravação e lacre — o regulamento exige que o extintor esteja lacrado “de forma a indicar visivelmente a condição de que o mesmo ainda não foi utilizado”.
- Os três níveis de manutenção, e o que fica escrito na etiqueta do serviço. (Acrescentado em 14/09/2026.) O extintor recarregável tem custo depois da compra, e ele é regulado pela Portaria Inmetro nº 58, de 16 de fevereiro de 2022, na redação dada pela Portaria Inmetro nº 314, de 29 de maio de 2025. Ela define três níveis: o 1º é “de caráter corretivo, geralmente efetuada no ato da inspeção técnica” e pode ser feito “no local onde o extintor de incêndio está instalado”; o 2º exige “equipamento e local apropriados, isto é, no fornecedor”; e o 3º, também chamado de “vistoria”, é a “revisão total do extintor de incêndio, incluindo a execução de ensaios hidrostáticos”. Os prazos que interessam ao seu bolso: a primeira manutenção de 2º nível é devida 12 meses após a data de fabricação ou ao fim da garantia dada pelo fabricante, “o que for maior”, e depois a cada 12 meses; para o 3º nível, o regulamento manda respeitar o prazo máximo de 5 anos. A manutenção também é devida depois de qualquer uso, mesmo parcial, e quando a pressão sai da faixa mostrada no indicador. E há um dado que você pode conferir sem entender de nada: terminado o serviço, a identificação deve trazer “mês e ano para a próxima manutenção de 2º nível e somente o ano para a próxima manutenção de 3º nível” — no pó ABC de até 2,3 kg, o mês pode ser substituído pelo trimestre. Procure essa data antes de comprar um extintor que já esteve em serviço, e contrate apenas empresa registrada no Inmetro, que é quem a norma autoriza a fazer inspeção e manutenção.
- O manômetro também é certificado, e o selo dele fica no mostrador. Poucos compradores sabem que a peça tem regulamento próprio. A Portaria Inmetro nº 109, de 17 de março de 2022 aprova os requisitos de avaliação da conformidade do indicador de pressão e manda que o Selo e o número do Registro sejam “impressos no mostrador” — de forma que não possam “ser encoberto pelo mecanismo indicador de pressão em qualquer situação” nem sobrepor “as faixas de indicação da pressão”. Consequência prática na hora de comparar: olhe o mostrador de perto. Se o selo não estiver ali, ou estiver por baixo do ponteiro, o produto não está como o regulamento descreve.
- Detector: os campos que decidem são área, decibel e autonomia. São três números publicados e raramente comparados. A ficha do detector autônomo que abrimos declara área de cobertura de 81 m², alarme de 90 dB a 1 metro, sensibilidade de 0,14 dB/m ± 10%, alimentação por 2 pilhas AA com autonomia declarada de 5 anos “(1 teste por mês)” e grau de proteção IP20. Já o detector convencional que abrimos é outro produto: funciona de 12 a 26 Vdc e depende de central — não toca sozinho. Antes de comparar preços, decida qual dos dois você quer: o autônomo, que é um aparelho completo com pilha e sirene, ou o de sistema, que é um sensor de uma instalação maior.
- Fumaça, temperatura ou chama: são três famílias, e a cozinha é da segunda. (Acrescentado em 14/09/2026.) Este guia diz acima que o manual do fabricante proíbe instalar o detector de fumaça a menos de 10 metros de fogão, forno e estufa — e sobra a pergunta do que usar então. A nota técnica sobre detecção e alarme do corpo de bombeiros do Rio de Janeiro, de 2019, responde ao definir as famílias. Os detectores pontuais de fumaça “atuam no início da combustão, onde o principal fator considerado é a geração de fumaça”, e os tipos mais usados são o óptico (fotoelétrico) e o iônico. Já os detectores pontuais de temperatura têm como fator principal “a geração de calor”, e aparecem em duas versões: os de temperatura fixa, “acionados quando o ambiente atinge uma temperatura determinada”, e os termovelocimétricos, para ambientes “onde a característica de início de combustão seja a elevação brusca de temperatura no sensor”. Há ainda os detectores de chama, indicados onde “a ação de vento pode favorecer a dissipação de fumaça e calor”. Na prática da compra: cozinha, garagem e área com vapor pedem a família da temperatura, e não a da fumaça, que dispara à toa nesses lugares — e a escolha entre temperatura fixa e termovelocimétrico depende de o ambiente ser naturalmente quente ou de esquentar de repente. O dimensionamento de um sistema continua sendo trabalho de profissional habilitado, como a mesma nota técnica exige.
- Onde o manual manda NÃO instalar — e a cozinha está na lista. É a instrução mais contraintuitiva da categoria, e está escrita. O manual do fabricante lista, entre os lugares proibidos, ambientes com partículas de combustão “(por fogões, estufas, fornos, aquecedores)” e ambientes pouco ventilados com vapor e calor, “garagens, cozinhas” — e completa: “quando for necessária a instalação nesses ambientes, posicione o detector a uma distância mínima de 10 m desses equipamentos”. Também ficam fora: perto de respiradouros, ventilador de teto ou ar-condicionado; locais com muita poeira; ambientes com insetos, porque “a câmara do detector pode ser entupida”; e a menos de 1 m de lâmpadas fluorescentes. A outra ficha pede instalação no teto ou parede a 30 cm do canto, no mínimo. Some esses limites à planta da sua casa antes de escolher a quantidade.
- Se é obrigatório na sua casa, quem responde é o corpo de bombeiros do seu estado. Aqui o guia diz o que a norma diz e para por aí, porque o resto não é dedução nossa. O Inmetro regula o produto — certificação, selo, indicador de pressão —, e a busca na base dele por “detector de fumaça” devolve zero registros. A exigência de ter sistema de detecção numa edificação vem do código estadual de segurança contra incêndio: a Nota Técnica 2-07 do corpo de bombeiros do Rio de Janeiro, de 2019, por exemplo, diz que se aplica “às edificações cuja a medida preventiva de sistema de detecção e alarme de incêndio seja exigência estabelecida pelo Código de segurança contra incêndio e pânico do Estado do Rio de Janeiro” — que é o Decreto Estadual nº 42, de 17 de dezembro de 2018 — e manda que o dimensionamento seja feito por “profissional habilitado cadastrado”. Isso é de um estado; cada um tem o seu código. Procure o corpo de bombeiros do seu estado antes de concluir qualquer coisa sobre obrigatoriedade, e trate instalação de sistema como serviço de profissional habilitado.
1. Extintor de pó ABC portátil
o formato mais comum, e o que reúne as três classes
É o que as fichas mostram como padrão da categoria. O modelo de 4 kg de carga que abrimos declara peso total de 6,6 kg e capacidade 2-A:20-B:C — a mesma capacidade do modelo de 2 kg do mesmo catálogo. Se quiser um degrau real acima, o de 6 kg declara 4-A:40-B:C e pesa 9,6 kg. Compare pela linha da capacidade, confira o selo com QR Code e veja se ele está lacrado.
2. Extintor compacto de 1 kg e automotivo
para carro e para quem tem pouco espaço
É o menor da linha e o que mais engana pelo nome. As três fichas de 1 kg que abrimos declaram carga de 0,9 kg, peso total de 1,5 kg e capacidade 1-A:5-B:C — um quarto do número do modelo de 4 kg na classe B. As mesmas fichas citam a norma ABNT NBR 15.808 e a resolução do Contran para uso veicular. Confira o suporte junto: há modelos específicos por diâmetro, e um deles declara 84 mm.
3. Extintor de CO2
para quadro elétrico e equipamento eletrônico
É o exemplo perfeito de por que peso não é capacidade. A ficha do CO2 de 4 kg declara peso total de 14,5 kg — mais que o dobro do pó ABC de mesma carga — e capacidade 5-B:C, sem classe A. A norma ainda obriga a válvula a trazer gravados o peso cheio (PC) e o peso vazio (PV), que é como se confere a carga sem abrir nada. Confira se você consegue erguê-lo antes de comprar.
4. Suporte de parede e tripé
onde ele fica, que é metade da decisão
É o acessório que costuma ser lembrado depois e limita a escolha. As fichas que abrimos separam por faixa: tripé de 420 mm para extintores de 4/6 kg e de 430 mm para 8/12 kg, água de 10 L e CO2 de 4/6 kg. Confira a faixa do suporte contra o modelo escolhido antes de fechar, e lembre do peso total — o de CO2 pesa bem mais do que o nome sugere.
5. Detector de fumaça autônomo a pilha
o aparelho completo, que toca sozinho
É o que a maioria das casas procura. A ficha que abrimos declara 81 m² de área de cobertura, 90 dB a 1 metro, 2 pilhas AA com 5 anos de autonomia declarada, sensibilidade de 0,14 dB/m e 146 g. A mesma página diz que ele não precisa ser ligado a um alarme e pede instalação a 30 cm do canto, no mínimo. Confira a área declarada contra o cômodo e respeite os limites de instalação do manual.
6. Detector de fumaça convencional, de central
para quem já tem ou vai ter um sistema de alarme
É outro produto, e a ficha avisa. O modelo que abrimos funciona de 12 a 26 Vdc, consome 10 mA em espera e traz sensibilidade ajustável por chave de 0 a 9, sendo “o número ‘0’ o mais sensível”. Ele não toca sozinho: depende de central. O próprio manual manda instalar e manter “de acordo com o código ABNT NBR 17240, códigos locais e autoridades que têm jurisdição” — ou seja, é instalação de profissional.
Por onde começar
Comece pela etiqueta, não pela balança. Nos catálogos que abrimos, o extintor de 2 kg e o de 4 kg declaram a mesma capacidade 2-A:20-B:C, e dois modelos de 2 kg declaram capacidades diferentes entre si — então a linha a comparar é a da capacidade extintora, e as letras antes dela dizem para que classe de fogo aquele modelo foi ensaiado. Depois confira três coisas que a norma obriga a existir no produto: o selo de 30 x 40 mm com QR Code, a gravação em baixo relevo no cilindro e o lacre; e olhe o mostrador do manômetro, onde o selo e o número do registro também devem estar impressos. Guarde o peso total para decidir onde ele fica e quem o ergue — o de CO2 de 4 kg pesa 14,5 kg — e confira a faixa do suporte. Para o detector, decida primeiro entre o autônomo, que funciona com pilha e sirene próprias, e o de central, que é sensor de sistema; depois compare área de cobertura, decibel e autonomia. E respeite a lista de onde não instalar: 10 m de fogão e forno, 1 m de lâmpada fluorescente, longe de ar-condicionado e ventilador de teto. Por fim, o ponto que este guia não responde no seu lugar: se é obrigatório na sua casa, quem diz é o corpo de bombeiros do seu estado — a exigência está no código estadual, e ela muda de estado para estado.
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