Guia da Escolha

Projetor: brilho em branco e em cores não são o mesmo

Projetor tem duas medidas de brilho, e a maioria das fichas publica só uma — a maior. Quem avisa é um fabricante da categoria, em página própria: “muitos fabricantes divulgam somente uma medida de brilho, que representa o brilho na cor branca”, e “para algumas marcas, o brilho em cores pode chegar a ser um terço do valor do brilho em branco, gerando imagens mais apagadas e com cores menos naturais”. Como “a maioria das imagens projetadas são coloridas”, é o brilho em cores que descreve o que você vai ver. Existe método definido para os dois: o mesmo fabricante diz especificar o branco por ISO 21118 e as cores por IDMS 15.4. Some a isso a segunda armadilha — anúncios que prometem “suporte a 1080p” com resolução nativa de 800 x 480 — e você tem o mapa do que conferir. Preços e disponibilidade mudam o tempo todo; confira sempre na página do produto antes de fechar a compra.

Antes de escolher

  • Procure dois números de brilho, não um. Este é o critério que organiza a compra. O brilho em branco mede a luz projetada em branco; o brilho em cores mede a luz projetada em cor — e é essa que descreve a imagem real, porque, nas palavras do fabricante, “a maioria das imagens projetadas são coloridas”. O alerta vem da mesma fonte e é direto: “para algumas marcas, o brilho em cores pode chegar a ser um terço do valor do brilho em branco”. Quando a ficha traz um número só, presuma que é o branco — o maior. Numa ficha bem feita, os dois aparecem e podem até ser iguais: vimos um modelo declarando 3.000 lumens de brilho em luz branca e 3.000 de brilho em luz colorida. Compare cores com cores; comparar o branco de um com as cores de outro não vale.
  • O método de medição existe e tem nome. Diferente de outras categorias que já examinamos, aqui a medida é normalizada — e o fabricante nomeia as normas: “todos os projetores Epson especificam a luminosidade branca usando ISO 21118 e a luminosidade em cores usando IDMS 15.4, para facilitar a comparação entre os projetores”. É por isso que alguns produtos declaram explicitamente “ANSI Lumens” — vimos fichas com 10.000 ANSI Lumens e 2.800 ANSI Lumens. A conduta prática que sai daí: prefira a ficha que nomeia o método, seja ANSI, seja a norma. Número de brilho grande, sem método declarado e sem a distinção entre branco e cores, não é comparável com um número medido — e é aí que a diferença de preço costuma se explicar.
  • Resolução nativa é física; a suportada é só o que entra. A segunda armadilha é do mesmo tipo. A resolução nativa é a matriz de pixels do painel, é característica física e não muda. A suportada (ou “máxima”) é só o sinal que o aparelho aceita receber — e que ele depois reduz para caber na nativa. Encontramos anúncio cujo próprio título declara “suporte a 1080P e resolução nativa de 800 x 480”: 1080p tem 1920 x 1080, e 800 x 480 é menos de um quinto disso em pixels. Ou seja, o aparelho aceita o sinal e mostra bem menos. Compare sempre pela nativa — e trate a suportada apenas como informação de compatibilidade de fonte, que é para o que ela serve.
  • Distância de projeção: a sala decide o tamanho. Este é o número que faz o projetor caber ou não na sua casa, e ele é publicado. A ficha de um modelo declara imagem de 30″ a 300″ com distância de 0,67 a 8,17 m — nas pontas, algo entre 2,2 e 2,7 cm de distância para cada polegada de tela. Antes de escolher, meça a distância entre o lugar onde o projetor vai ficar e a parede ou tela, e use a tabela do modelo para ver que tamanho isso produz. Se a sua sala é curta, procure modelos de tiro curto, que fazem imagem grande de perto — vimos um declarando 84 a 813 cm de imagem a 1,30–1,56 m. E lembre que mover o projetor para trás é o único jeito gratuito de aumentar a tela.
  • Onde o projetor vai ficar, e o que isso exige. Depois da distância, a posição. Mesa é o mais simples e o mais sujeito a esbarrão; teto exige suporte e passagem de cabo, e inverte a imagem (todo projetor tem essa opção, mas confirme). Procure na ficha dois recursos que resolvem desalinhamento: a correção trapezoidal (keystone), que endireita a imagem quando o projetor não está perpendicular à tela, e o deslocamento de lente (lens shift), presente nos modelos maiores, que move a imagem sem distorcer. Verifique a relação de aspecto nativa — vimos “16:10 (suporta 4:3 e 16:9)” — porque ela define o formato da imagem e, portanto, da tela que você vai comprar. Peso importa se for ao teto: o modelo que abrimos tem 1,68 kg.
  • Luz do ambiente: onde o brilho vira requisito. O mesmo projetor entrega experiências diferentes conforme a sala. Em ambiente escurecido, brilho baixo já resolve; em sala com luz natural ou com luminária acesa, o número precisa ser bem maior, e é aí que o brilho em cores declarado faz diferença de verdade. Por isso o mercado tem faixas tão distantes: vimos fichas de 2.800, 3.000, 4.000, 4.200, 8.500 e 10.000 lúmens. Duas providências práticas: pense se você vai escurecer a sala de fato, e considere que a superfície importa — parede branca e lisa funciona, parede texturizada ou colorida come brilho. Tela de projeção é acessório que rende mais do que subir de faixa de aparelho.
  • Fonte de luz e vida útil declarada. É o custo de posse da categoria. Projetores de lâmpada têm vida útil declarada em horas e a lâmpada é peça de reposição — antes de comprar, procure o preço e a disponibilidade da lâmpada do modelo, porque ela pode custar uma fração grande do aparelho. Projetores de LED e de laser declaram vidas úteis bem maiores e não têm essa troca, o que muda a conta a longo prazo. Verifique também se a ficha declara a vida útil em modo normal e em modo econômico, porque os dois números costumam ser bem diferentes — e é o mesmo tipo de distinção que já vimos entre velocidade ISO e modo rascunho em impressoras.
  • Conexões, som e o que falta na caixa. Três conferências rápidas. As entradas: HDMI é o básico, e vale contar quantas existem se você pretende ligar mais de uma fonte; procure também USB e, se for usar computador antigo, as entradas analógicas. O som: o alto-falante embutido de projetor costuma ser fraco por projeto, então confira se há saída de áudio para caixa externa — e temos um guia de caixa de som para essa parte. E o que não vem na caixa: cabo HDMI de comprimento útil, suporte de teto e tela de projeção quase sempre são compras à parte. Some-os ao orçamento antes de comparar preços entre modelos.
Projetor portátil de entrada — imagem ilustrativa

1. Projetor portátil de entrada

para quem quer imagem grande de vez em quando e vai escurecer a sala

Se o uso é eventual e a sala pode ficar escura, esta faixa resolve — desde que você leia a ficha com cuidado, porque é aqui que moram as duas armadilhas. Procure a resolução nativa e ignore a suportada: vimos anúncio declarando “suporte a 1080P e resolução nativa de 800 x 480”. E procure o brilho em cores, não só o número grande do título — o fabricante avisa que em algumas marcas ele “pode chegar a ser um terço do valor do brilho em branco”. Confira a distância de projeção contra a sua sala e conte com cabo HDMI e suporte como compras separadas.

Ver na Amazon

Projetor para sala de estar, com resolução nativa alta — imagem ilustrativa

2. Projetor para sala de estar, com resolução nativa alta

para quem vai usar com frequência e quer imagem grande de verdade

É a faixa em que vale exigir os números completos. Procure resolução nativa declarada em pixels (não em “suporta”), os dois valores de brilho — branco e cores — e, de preferência, a menção ao método: fichas sérias trazem “ANSI Lumens” ou nomeiam a norma, como o fabricante que declara usar ISO 21118 para branco e IDMS 15.4 para cores. Verifique a relação de aspecto nativa, porque ela define a tela que você vai comprar, e a faixa de tamanho com a distância correspondente. Confira a fonte de luz e, se for lâmpada, o preço da reposição.

Ver na Amazon

Projetor de tiro curto — imagem ilustrativa

3. Projetor de tiro curto

para sala pequena, quando não há distância para recuar

Resolve o problema de quem quer tela grande num cômodo curto: faz imagem grande de perto. Um modelo que abrimos declara imagem de 84 a 813 cm a uma distância de 1,30 a 1,56 m — compare com os modelos comuns, que precisam de metros para a mesma tela. As conferências são as mesmas do resto da categoria: nativa, brilho em cores e relação de aspecto. Some duas específicas: como ele fica muito perto da parede, o alinhamento precisa ser preciso — verifique correção trapezoidal — e a superfície da parede aparece mais, então imperfeição de textura fica visível.

Ver na Amazon

Projetor de alto brilho para ambiente claro — imagem ilustrativa

4. Projetor de alto brilho para ambiente claro

para sala com luz natural, salão ou uso profissional

Quando não dá para escurecer, o brilho deixa de ser conforto e vira requisito. A faixa alta do mercado declara 4.000, 4.200, 8.500 e até 10.000 lúmens, e nessa faixa é comum a ficha trazer “ANSI Lumens” explicitamente — um modelo declara “10.000 ANSI Lumens de brilho” com nativa XGA e imagem de 60″ a 500″. Aqui, mais do que nunca, compare o brilho em cores, que é o que descreve a imagem real. Verifique se o modelo aceita troca de lente (alguns são vendidos sem lente) e se o ruído declarado é compatível com o ambiente.

Ver na Amazon

Tela de projeção — imagem ilustrativa

5. Tela de projeção

o acessório que rende mais do que subir de faixa de aparelho

Antes de trocar o projetor por um mais brilhante, considere a superfície. Compare por três campos: a medida em polegadas, que deve bater com o tamanho que a sua distância de projeção produz; a relação de aspecto, que precisa ser a mesma do projetor (vimos 16:10 suportando 4:3 e 16:9 num modelo) — tela de formato diferente deixa faixas pretas ou corta imagem; e o tipo de instalação, entre retrátil de parede, com tripé ou fixa. Verifique o ganho declarado, quando informado, e prefira superfície lisa e clara. Meça a parede antes: tela de 100 polegadas é maior do que parece no anúncio.

Ver na Amazon

Suporte de teto e cabos — imagem ilustrativa

6. Suporte de teto e cabos

o que não vem na caixa e define se a instalação fica boa

Dois itens que quase sempre são compra separada. O suporte de teto: confira a carga declarada em quilos contra o peso do seu projetor (o modelo que abrimos pesa 1,68 kg, mas os de alto brilho passam bem disso), o padrão de furação da base e se ele permite ajuste de inclinação. Como toda peça fixada em laje ou forro, a carga vai para a bucha e para o tipo de estrutura — na dúvida, a instalação é serviço de profissional. E o cabo HDMI: meça o trajeto real, com folga, porque cabo curto obriga a mudar o projetor de lugar, e é o trajeto que define o comprimento, não o tamanho da sala.

Ver na Amazon

Por onde começar

Antes de olhar modelos, meça a distância entre onde o projetor vai ficar e a parede ou tela — é ela que define o tamanho possível. Depois, na ficha, procure três coisas: a resolução nativa em pixels, os dois números de brilho (branco e cores) e a tabela de tamanho por distância. Uso eventual com a sala escura: portátil de entrada, conferindo a nativa e não a “suportada”. Uso frequente e imagem grande: modelo com nativa alta e método de medição declarado. Sala curta: tiro curto, olhando correção trapezoidal. Não dá para escurecer: alto brilho, comparando pelo brilho em cores. Já tem o projetor: tela de projeção na mesma relação de aspecto rende mais que trocar de aparelho. Vai instalar no teto: suporte com carga declarada e cabo medido pelo trajeto. Para as telas da casa: o monitor de home office e o suporte de TV e rack têm guias próprios. O que evitar: comparar um brilho em branco com um brilho em cores; aceitar número de lúmen sem método declarado; comprar pela resolução “suportada”; escolher o tamanho da tela antes de medir a distância; e esquecer que cabo, suporte e tela costumam ser compras à parte.

Também no Guia: Smart TV

O Guia da Escolha participa do Programa de Associados da Amazon. Ao comprar pelos links desta página, você não paga nada a mais e apoia nosso trabalho editorial independente.

SALVE ESTE GUIA NO PINTEREST

Projetor: brilho em branco e em cores não são o mesmo — Guia da Escolha

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *